Rio de Janeiro - Apesar da redução da safra agrícola para este ano e do embaraço enfrentado pela soja brasileira na China, as estimativas para as exportações brasileiras em 2004 estão sendo revistas para cima. A nova projeção da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), que será divulgada na semana que vem, é de que as vendas externas do País alcançarão US$ 85 bilhões este ano, patamar superior à meta do governo, atualmente em US$ 83 bilhões.
Desde o início do ano, a Funcex vinha trabalhando com uma expectativa de exportações de US$ 83 bilhões, US$ 3 bilhões inferior à da estimativa atual. A MB Associados também acaba de calibrar suas projeções: saltaram da casa dos US$ 80 bilhões para US$ 83,5 bilhões, conta o economista e sócio da consultoria José Roberto Mendonça de Barros. O forte incremento dos produtos manufaturados explica boa parte das revisões.
''O desempenho dos manufaturados está sendo muito forte e tudo indica que vai continuar pelo segundo semestre adentro'', diz Mendonça de Barros. Ele afirma que a nova previsão - superior à meta do governo em meio bilhão de dólares - já inclui um desconto de US$ 1 bilhão, relativo à redução da safra da soja.
Economista da Funcex, Fernando Ribeiro explica que, entre 2002 e 2003, a maior parte das exportações veio da agropecuária, mas destaca que este ano a expansão dos manufaturados é consistente.
Ribeiro reconhece que o problema com a China é ''sério'' e que pode haver recuo nas cotações das commodities (produtos básicos, cotados internacionalmente). Pondera, contudo, que a maior parte da exportação de produtos agrícolas já está sendo feita e reforça que os produtos manufaturados estão em aceleração. A tendência é que a contribuição destes produtos aumente na pauta brasileira até o fim do ano. ''A mudança é gradual, mas o peso dos manufaturados, que era de 54% em 2003%, poderá chegar a 56% este ano'', afirma o economista da Funcex.
O titular da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), Ivan Ramalho, concorda que a contribuição dos manufaturados deverá crescer e diz que isso representa uma forma de enriquecimento da pauta, já que este grupo de produtos tem maior valor agregado. Em maio, os manufaturados cresceram 27,4% sobre o mesmo mês no ano passado, com destaque para aviões (96,3%), automóveis (23%) e laminados planos (58%). Outros itens manufaturados são óleos combustíveis, tratores, madeira compensada, compressores, veículos, motores e autopeças.

mockup