Rio - A safra de 100 milhões de toneladas em 2002 pode não se tornar realidade, segundo as estimativas de março divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Problemas climáticos na Bahia e no Rio Grande do Sul reduziram em 0,66% as expectativas de março para a safra (98,58 milhões de toneladas) ante o levantamento de fevereiro (98,64 milhões de toneladas).
Caso seja confirmada a projeção atual do IBGE, a safra deste ano será apenas 0,04% superior à do ano passado (98,54 milhões de toneladas).
O engenheiro agrônomo do Departamento de Agropecuária do instituto, Neuton Alves Rocha, disse que as esperanças de aumento de safra agora estão depositadas no trigo, cultura de inverno que começa a ser plantada no final de abril. Segundo ele, a expectativa é de que a colheita do trigo seja superior aos 3 milhões de toneladas registrados na safra anterior. Os dados estimados pelo IBGE para a safra são revisados mensalmente ao longo do ano.
A estimativa de março revelou que, entre as grandes regiões produtoras de grãos, o Sul teve uma retração de 9,7%, em decorrência de irregularidades climáticas nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No total da região, segundo o IBGE, entre fevereiro e março houve uma perda em torno de 790 mil toneladas de grãos. Em Santa Catarina, as reduções foram de 1,5% na produção do milho, 4% na de soja e cerca de 20% na produção de feijão segunda safra. Já no Rio Grande do Sul as perdas mais relevantes ocorreram no milho primeira safra (-7,7%), soja (-7,5%) e feijão primeira safra (-8,9%).
As estiagens estão prejudicando a safra em vários Estados do Nordeste, e o caso mais grave está ocorrendo na Bahia. As maiores quedas no Estado estão sendo registrados nas regiões de Barreiras e Irecê, onde respectivamente, predominam a soja e o feijão. Na região de Barreiras, a produção de soja registrou uma queda de 27%, equivalente a cerca de 520 mil toneladas. Inicialmente, esperava-se um volume de 1,920 milhão de toneladas de soja no local. Já para a região de Irecê, a perda do feijão primeira safra foi significativa, levando a produção da Bahia a perda estimada de 70 mil toneladas.
A boa notícia está relacionada à segunda safra de milho para 2002, que deverá atingir 8,4 milhões de toneladas, segundo a estimativa de março do IBGE, que foi 17% maior que a informada em fevereiro para o produto.
Se confirmada, a colheita será 32% maior do que a obtida em 2001, ou seja, serão colhidos cerca de 2 milhões a mais de toneladas de milho.

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