A falta de chuva aliada ao aparecimento de doenças piorou as condições das lavouras de inverno paranaenses. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) estima que 23% da área de trigo encontra-se em situação regular ou ruim, ante o índice de 16% registrado na semana passada. No caso da cevada o quadro é um pouco pior. Em 26% da área as lavouras são regulares ou ruins, contra 6% da semana anterior.
A produção de trigo inicialmente estimada é de 3,245 milhões de toneladas. O engenheiro agrônomo Norberto Ortigara, do Deral, afirmou que essa estimativa pode não se confirmar. ''Em algumas regiões, não chove há mais de 30 dias'', disse. Por causa da estiagem, produtores não conseguem fazer as aplicações de uréia e adubação de cobertura necessárias às lavouras de inverno e pastagens.
A colheita de trigo já foi efetuada em 1,1% da área de 1,3 milhão de ha. A produtividade dessas primeiras lavouras é de 1550 quilos por ha. O número é baixo diante da estimativa inicial de 2,4 mil quilos por ha prevista para o Estado. De acordo com o técnico, são áreas que foram prejudicadas pelo clima desfavorável. No ano passado, a produtividade obtida foi de 2,6 mil quilos por ha.
A seca tem sido benéfica para os trabalhos de colheita do milho safrinha, que já totaliza 47% de lavouras colhidas. Cana, feijão de inverno e café são outras culturas beneficiadas pelo clima. No caso do café, a colheita atinge 86% das áreas.
A baixa umidade, entretanto, atrapalha o início do plantio das lavouras de verão. ''Mas esse quadro ainda pode ser recuperado'', acredita Ortigara. As culturas já semeadas no Estado são o feijão das águas (2,5%), o milho (0,5%), a batata, a mandioca, a cana e o fumo.

mockup