A julgar por informações repassadas para a FOLHA por agrônomos e presidentes de sindicatos rurais, o estrago causado pela estiagem à próxima safra será muito grande, com quebra entre 15% e 50%. Os números oficiais serão anunciados amanhã pela Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).
''Não temos números fechados, mas a situação por aqui está muito complicada. Há lavouras que estão há mais de 40 dias sem chuva'', afirma Nelson Paludo, presidente do Sindicato Rural de Toledo, na região Oeste do Paraná. Além da estiagem, segundo ele, as altas temperaturas aumentaram o estresse das plantas.
''Os maiores prejudicados são aqueles que fizeram o plantio precoce, permitido a partir de 21 de setembro'', ressalta. Segundo Paludo, em vez de 55 sacas de soja por hectare colhidas na safra passada, os produtores mais prejudicados da região vão colher cerca de 20, ou seja, 63% menos. ''Não me lembro de uma situação tão difícil desde 1978'', conta.
Ele destaca, no entanto, que houve chuvas isoladas em determinados municípios e, portanto, alguns agricultores ainda têm esperança de uma colheita melhor. O engenheiro agrônomo Jonas Roberto Teló confirma. ''Dia 21 de novembro caiu uma chuva em parte da região que vai de Toledo a Marechal Cândido Randon'', afirma. Mas nada que mude o cenário desolador enfrentado pelos produtores da região.
Trabalhando há 9 anos para a Coamo Cooperativa Agroindustrial, ele diz que nunca viu algo parecido e confirma: ''Muitas lavouras não produzirão mais que 20 sacas por hectare''. Já as chuvas da virada do ano, de acordo com Teló, também não beneficiaram toda a região. ''Em alguns locais choveu 5 milímetros e em outros, 50'', ressalta. Segundo o agrônomo, muitos produtores já estão acionando o seguro contra quebra da safra.
O presidente do Sindicato Rural de Palotina, no Oeste, Nestor Araldi, considera 60% da sua lavoura perdida. ''Nenhuma chuva que cair agora vai resolver o problema'', salienta. O prejuízo maior, segundo ele, é na soja, porque o milho já estava formado quando a estiagem começou. ''Se alguém conseguir recuperar o custeio já estará muito bem'', conta.
A situação na região de Londrina é menos grave, segundo o engenheiro agrônomo da cooperativa Integrada, Rodrigo Teixeira Xavier. Mesmo assim, ele estima uma quebra da safra entre 15% e 20%. As chuvas do dia 30 foram um alívio geral. Mas as da última terça-feira, segundo ele, não atingiram, por exemplo, o Distrito de Guaravera e a cidade de Tamarana.
De acordo com a assessoria de imprensa da Cocamar, 60% da soja está na fase de floreamento e 30% na de granulação. E se não chover nesta semana a situação vai ficar complicada para os produtores do Norte e Noroeste do Estado.
Segundo o Instituto Tecnológico Simepar, haverá chuvas isoladas nas duas regiões de sexta-feira até domingo. Já no Oeste e Sudoeste, só a partir de sábado.

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