Estiagem prolonga entressafra do boi
Vânia Casado
De Curitiba
A estiagem está empurrando o fim do período de entressafra do boi para o final do ano, um comportamento atípico nos últimos 5 anos. A oferta de boi gordo ainda é escassa e o volume de animais confinados, em torno de 90 mil cabeças no Paraná, é pequeno para atender a demanda. O clima irregular permitiu a recuperação nos preços do boi, que já acumula uma alta de 43% nos últimos 12 meses, constatou o Deral.
Além do clima, o aumento das exportações brasileiras viabilizou a recuperação nos preços do boi gordo, afirmou Adelio Borges, médico veterinário do Deral. Segundo ele, as exportações de carne devem crescer 31% esse ano. No ano passado foram exportadas 343 mil toneladas de carne e a estimativa para esse ano é atingir o volume de 450 mil toneladas exportadas. Trata-se do maior volume exportado desde 1990, assinalou Borges. Desse total, 60% é destinado aos países da União Européia. O Paraná tem uma participação de 6% nesse volume.
Como reflexo desse quadro, a carne já aumentou 30% no mercado de distribuição e varejista, desde o final de agosto quando começou o período da entressafra. Como os reajustes vêm ocorrendo de forma escalonada, entre 9% e 10% ao mês, o consumidor não sentiu tanto o repasse. Mas o mercado espera um recuo nas vendas a partir dessa segunda quinzena, quando o preço da carne ao consumidor já atingiu o limite, disse Silvio Przedzmirski, presidente da Associação Distribuidora de Carnes do Paraná e proprietário de 16 lojas varejistas de carnes e derivados, em Curitiba.
Segundo Adélio Borges, o clima não permite um bom desenvolvimento e formação de massa verde nos pastos, para favorecer o ganho de peso dos animais. O que se vê nos pastos são animais muito jovens ou bem magros, com peso máximo de 16 arrobas. Com essas condições, Borges acredita que a entressafra deverá demorar mais 45 ou 50 dias. Infelizmente vamos chegar ao final do ano com o preço da carne em alta no varejo, alertou.
Na espera de um reajuste maior, o pecuarista que tem gado confinado está segurando os animais. O preço hoje no Paraná está oscilando entre R$ 40,00 e R$ 41,00 a arroba, conforme a praça. O mercado sinaliza a pressão que o pecuarista está fazendo para que o boi seja comercializado por R$ 45,00 a arroba, volume que considera ideal para promover a desova do gado confinado. Para se ter uma idéia, em novembro de 98, a arroba do boi era comercializada por R$ 27,17 em média, no Paraná.
Para Przedzmirski, do comercio atacadista e varejista de carnes, o consumo de carne bovina não recuou. Mas ele manifestou preocupação com a reação do mercado a partir desta segunda quinzena, quando acaba a influência da circulação dos salários. Segundo o empresário a carne foi reajustada novamente entre 6% e 7% nesse início de mês, mas não houve redução nas vendas. Ele acredita que o sufoco deve se acentuar na próxima semana, quando a alta acumulada deverá provocar maior impacto no consumidor.





