A chuva que caiu no Paraná nesta semana não foi suficiente para evitar prejuízos às lavouras de feijão da região de Jacarezinho (Norte Pioneiro). A estiagem, aliada ao frio e à geada no início do plantio, deve causar quebra de pelo menos 30% às lavouras locais. A estimativa é da Associação de Produtores de Cereais (Aprocer) de Wenceslau Braz (principal produtor da região).
No restante do Estado, apesar de não haver levantamento sobre possíveis prejuízos, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) informou que houve lavouras danificadas em regiões isoladas. ''Ainda não dá para falar em quebra de produção, mas houve perdas localizadas'', afirmou o engenheiro agrônomo Otmar Hubner.
O pequeno produtor Taurino Alexandrino Loiola, de Wenceslau Braz, lamenta a queda de produção pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, pelo mesmo motivo, ele não conseguiu colher nem mesmo um quilo de feijão.
Loiola contabiliza pelo menos 30% de perda nas lavouras que estão em desenvolvimento. ''A chuva foi pouca'', disse, acrescentando que os produtores locais, historicamente, não contam com lucros na safra das águas. ''É uma cultura imprevisível'', considerou. A região planta 27,5 mil hectares e esperava, antes dos problemas climáticos, colher 33 sacas por hectare.
Na região de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), onde os produtores intercalam a cultura do feijão com soja e milho, as chuvas da semana melhoraram as condições das lavouras. O engenheiro agrônomo Cláudio Kubo, da cooperativa Integrada, comentou que a lavoura sofreu com os dias de frio sucedidos por calor intenso.
''O terço inferior amarelou'', disse, referindo-se às folhas da parte de baixo da planta. A consequência é um possível abortamento das primeiras flores. ''Ainda não dá para avaliar se haverá perdas. A chuva amenizou bastante'', afirmou.
Os rumores de quebra não interferiram no mercado do feijão no Paraná. ''As lavouras com problemas estão em regiões isoladas'', explicou o corretor Danilo Rent, da Correpar Corretora de Mercadorias, em Curitiba. Como a oferta de feijão foi boa na última safra e o mercado já começa a receber produto novo de São Paulo e Paraná, os preços do carioca desvalorizaram 15% no último mês e, ontem, estavam cotados a R$ 60,00 a saca. O feijão preto mantém preço estável de R$ 65,00 por saca nos últimos 30 dias.

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