Estiagem pode elevar o preço da carne
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sexta-feira, 20 de outubro de 2000
Oswaldo Petrin De Londrina 
A falta de chuva nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás pode prolongar a entressafra da pecuária de corte e manter elevados os preços do boi gordo por um período maior que o normal. Tradicionalmente, em meados de dezembro começam a aumentar as ofertas de boi gordo. Mas as condições dos pastos em nos Estados pecuários parecem não colaborar.
Calor e evapotranspiração das plantas levam à perda muito rápida da qualidade do pasto. Os veranicos são comuns nesta época mas este ano já chegam a caracterizar período seco. Dez dias a mais sem chuva representam mais do que dez dias de atraso na engorda do boi; a proporção é maior -, observa o analista de mercado da FNP, José Vicente Ferraz, entrevistado ontem por este jornal. Às vezes, o atraso para termnar um boi chega a um mês. Se chover na próxima semana o pasto inicia o processo de brotação, mas isto não significa disponibilidade imediata de comida para o gado. A meteorologia, porém, não está prevendo seca prolongada.
Enquanto isso, a oferta de boi gordo continua muito reduzida em São Paulo e Paraná. Ontem, em São Paulo, o preço se manteve em R$ 44,00; no Paraná, preço máximo foi R$ 43,00, para descontar Funrural e pagamento em 30 dias.
O comportamento do mercado confirma previsões dos técnicos da FNP de que nesta época o preço do boi caminharia para R$ 46,00 arroba, chegando a R$ 47,00.48,00 no pico da entressafra.
Continuamos acreditando que a tendência dos preços no mercado do boi é mesmo de alta. O atacado pode apresentar pequena reação, embora especula-se que frigoríficos de São Paulo, Minas, Mato Grosso e Tocantins estejam trabalhando com estoque, afirma Ferraz.
Mas esta não é a pior entressafra, segundo Ferraz. As de 1988, 1990 e 1994 foram dramáticas. São três as variáveis que elevam o preço da carne nesta época: entressafra, que em geral combina geada com seca; pouca oferta de boi gordo e aumento do poder de compra dos consumidores. Este ano o poder de compra é menor, ao contrário do que ocorreu no início do Plano Real, em 1994 e na época do Plano Collor. O consumo, contudo, se mantém no (bom) patamar de 40 kg/per capita.
Em 1994 tivemos preços recordes 38 dólares/arroba. Médias mensais de US$ 37,4 em outubro; US$ 38,8 em novembro; e US$ 35,4 em dezembro (de 94).
Este ano o mercado ainda conta com o aumento das exportações. O Brasil fecha o ano exportando 585 mil toneladas de equivalente carcaça, abaixo das 600 mil toneladas previstas, mas acima dos anos anteriores. A pecuária de corte, este ano está abatendo 157 milhões de cabeças de bois e exporta 8,2% desse total, em carcaça (uma carçaça equivale em média a 248 kg. Ou seja dos 157 milhões de bois que vai abater, 12 milhões vão para o exterior. As exportações brasileiras ainda são modestas perto do potencial.


