O vazio sanitário terminou na última sexta-feira e o zoneamento climático libera o plantio de soja em alguns municípios paranaenses a partir do dia 21. Mas nesta safra o produtor precisa aguardar não apenas as autorizações legais para iniciar o cultivo da oleaginosa, o plantio depende ainda de chuva. A estiagem de aproximadamente 60 dias comprometeu a umidade do solo, que precisa ser recuperada para viabilizar os trabalhos no campo.
O economista do Departamento de Economia Rural (Deral) Marcelo Garrido afirma que não há previsão de atraso na safra paranaense de soja devido à estiagem. ''A princípio, não há preocupação pois há previsão de chuva para essa semana, mas se a seca persistir pode haver prejuízo para a colheita e, consequentemente, para o plantio do milho safrinha'', explica.
Na avaliação do pesquisador da Embrapa Soja Alvadi Balbinot, é importante ressaltar que o plantio não está atrasado, tendo em vista que está dentro do período aprovado pelo zoneamento climático. ''Tecnicamente, não é recomendado fazer o plantio se o solo não tiver água disponível'', alerta. Entre os problemas do cultivo sem a umidade necessária estão a dificuldade de operação da semeadora e o comprometimento da fisiologia da germinação da semente, o que reduz a população e causa desuniformidade de emergência de plantas, prejudicando a produtividade da lavoura.
O pesquisador lembra que as lavouras com cultivo mais tardio também ficam mais suscetíveis à ferrugem asiática e ao ataque de percevejos. ''O produtor deve fazer o planejamento da lavoura com base na quantidade adequada de umidade do solo e pode aproveitar esse período para preparar e regular o maquinário para iniciar o plantio logo após o início das chuvas'', orienta.
Em todo o País, a estimativa é de aumento de 7% na área plantada de soja na safra 2012/13. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica produção recorde de 80 milhões de toneladas, impulsionada pelos preços altos do grão no mercado internacional. No Paraná, a previsão do Deral é de incremento de 4% na área cultivada com o grão, totalizando 4,56 milhões de hectares. A produção deve ser recorde, chegando a 15 milhões de toneladas, aumento de 38% em relação à safra 2011/12, que foi afetada pela estiagem.
Mercado
Pesquisa da consultoria Céleres aponta que a comercialização da safra 2012/13 chegou a 46%, 25% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Na média das praças pesquisadas, a soja sofreu desvalorização de 0,4% em relação à semana anterior, mas na comparação com a cotação de 30 dias atrás, houve valorização de 7,5%. No porto de Paranaguá, a saca foi cotada a R$ 88,88, queda de 1,3% na semana. A média calculada pelo Deral no mês de agosto foi de R$ 72,60, valor 76,4% superior ao do mesmo período do ano passado. Ontem, a saca foi comercializada a R$ 76,21 no Paraná. ''Os preços continuam muito bons, mesmo com oscilações de mercado, e tendem a permanecer assim a médio prazo'', avalia Garrido. O economista esclarece que o início da colheita da safra norte-americana em setembro deve causar recuo nas cotações, mas o efeito não deve permanecer por longo período.

Imagem ilustrativa da imagem Estiagem pode atrasar plantio da soja
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