Estiagem no Sul pressiona alta do IGP-M em janeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Alessandra Saraiva <br>Agência Estado 
Rio - A deflação chegou ao fim na segunda prévia do IGP-M, que subiu 0,22% em janeiro após cair 0,07% em dezembro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados (de 0,05% para 0,30%), mas acima da mediana das expectativas (0,20%). As informações foram divulgadas ontem.
Nos três indicadores que compõem a segunda prévia do IGP-M de janeiro, o IPA-M caiu 0,04% após mostrar queda de 0,38% em igual prévia do mesmo índice em dezembro. O IPC-M teve alta de 0,81%, contra aumento de 0,59% na segunda prévia de dezembro. Já o INCC-M registrou taxa positiva de 0,60%, após avançar 0,43% na segunda prévia do indicador de dezembro.
A taxa acumulada do IGP-M é usada no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis. Até a segunda prévia de janeiro, o IGP-M acumula aumento de 4,50% em 12 meses.
Em 2011, o indicador acumulou alta de 5,10%, menos da metade dos 11,32% registrados em 2010.
O período de coleta de preços para cálculo da segunda prévia do IGP-M deste mês foi do dia 21 de dezembro a 10 de janeiro.
As causas
A provável menor oferta de grãos no atacado este ano, devido a problemas climáticos, levou ao fim a queda de preços na segunda prévia do IGP-M, que saiu de -0,07% para 0,22% de dezembro para janeiro.
Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, problemas de seca no Sul do País, e na Argentina, derrubaram projeções nas safras de soja e de milho para este ano. Estes produtos pararam de cair de preço e ajudaram a diminuir a intensidade da deflação no atacado (de -0,38% para -0,04%)de dezembro para janeiro.
''São produtos de peso no atacado'' lembrou o especialista. Além disso, com a possibilidade de menor oferta de soja, chegou ao fim a queda de preços no farejo deste produto no atacado (de -4,17% para 4,67%), o que contribuiu ainda mais para a perda de força no recuo de preços atacadistas, 60% do total dos Índices Gerais de Preços (IGPs).
Para Quadros, o fenômeno de grãos mais caros não deve se sustentar por muito tempo. Ele lembrou que, atualmente, os preços de soja e milho são ''globais'', ou seja, qualquer notícia sobre menor disponibilidade de oferta tem impacto mundial na inflação destas duas commodities. No entanto, após o mercado realizar seus ajustes com a nova magnitude da oferta, os preços devem parar de subir, na avaliação do especialista.
Os preços no atacado poderiam ter voltado ao terreno positivo, não fosse o comportamento de bovinos, cujos preços estão caindo no setor atacadista (de 2,23% para -3,14%). Isso, na prática, derrubou preços da carne bovina no atacado (-3,80%); e puxou para baixo a inflação da carne bovina no varejo (de 4,30% para 0,99%). Além disso, o preço do trigo continuou a cair no setor atacadista (-2,22%), o que diminuiu o avanço de preços em panificados e biscoitos no varejo (de 1,14% para 0,22%). ''As carnes e o trigo contribuíram para a manutenção da deflação no atacado, na segunda prévia'', resumiu.


