Vânia Casado
O Paraná está com aproximadamente 50 dias sem chuvas e a estiagem já está prejudicando as lavouras de inverno, principalmente de trigo e milho safrinha. Entre as cooperativas fala-se em perdas de 5% a 10% na produção, afirmou Flávio Turra, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). ‘‘A dificuldade está em identificar o que corresponde a perdas pelo efeito da seca ou pelo efeito da geada ocorrida no início do mês’’, disse.
Segundo Turra, na região Norte a estiagem está favorecendo a colheita de trigo e milho safrinha, mas as demais regiões do Estado estão sentindo a falta de chuvas. O técnico lembra que o estrago só não é maior porque a seca minimizou os efeitos das geadas sobre as lavouras. O prolongamento da estiagem está afetando também a intensificação do plantio de milho e feijão da safra de verão 99/2000. Turra acredita que entre 1% a 2% da área prevista para o plantio de milho já está plantada. ‘‘Esse percentual poderia ser bem maior, não fosse a falta de umidade no solo’’, comentou.
‘‘Sem chuvas, fica difícil plantar a safra de verão. Se demorar para chover as lavouras já instaladas podem ter problemas de germinação’’, alerta Turra. Muitos produtores preferem plantar o milho mais cedo para poder ofertar a produção ainda em período de entressafra e conseguir preços melhores.
A Secretaria da Agricultura deverá divulgar ainda essa semana o resultado dos prejuízos com as geadas e também com a estiagem. A engenheira agrônoma Vera Zardo disse que a seca está mais intensa nas regiões Norte e Noroeste. Na região Centro-Sul, a estiagem está prejudicando o trigo e as lavouras de inverno que ainda se encontram em fase de desenvolvimento vegetativo e de floração, período em que as culturas precisam de água para o desenvolvimento dos grãos. Cerca de 30% da área plantada com trigo no Estado (726 mil hectares) está em fase de desenvolvimento vegetativo.
Outras culturas como o plantio da amoreira para produção de fio de seda e mandioca estão sendo afetadas pela estiagem. Na região Noroeste a seca completa dois meses e os produtores estão com dificuldades para arrancar as raízes do solo.
Com a menor oferta de matéria-prima para as indústrias, os preços da mandioca já começaram a subir. Na última semana a tonelada da raiz atingiu R$ 70,00 em Paranavaí, contra R$ 55,00 no início do mês de julho. O preço da fécula também saltou de R$ 0,40 para R$ 0,50 o quilo e a farinha passou de R$ 12,00 para R$ 14,00 a saca com 50 quilos.

mockup