Estiagem já preocupa produtores de grãos
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A baixa incidência de chuva que afeta praticamente todo o Paraná já começa a preocupar os produtores que terminaram o plantio da safra 2011/12. De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, o mês de dezembro, período normalmente provido de altas ocorrências de chuvas, registra uma diminuição considerável de precipitações neste ano. Na região de Londrina, por exemplo, o órgão contabilizava até o final da tarde de ontem um deficit hídrico de 170 milímetros somente nesse último mês do ano.
Sheila Paz, meteorologista do Simepar, disse que a média do município para todo o mês de dezembro deveria ser de 210 milímetros. Até agora, já na segunda quinzena do mês, o volume de chuva na região não passou dos 33 milímetros.
A especialista apontou que no Norte do Paraná, outros municípios também têm sofrido com a estiagem. Entre 1 e 19 de dezembro, choveu apenas 16 milímetros em Apucarana, um dos índices mais baixos do Estado.
Em todo o Estado, Paranavaí (Noroeste) é uma das regiões que mais está sofrendo com a estiagem. Até ontem, o índice de precipitação era de apenas 4 milímetros em dezembro.
Sheila explicou que a falta de chuva que está ocorrendo não só no Paraná, mas em toda o Sul do País, se deve ao La NiÀa. O fenômeno diminui a umidade do ar nessas regiões, o que dificulta a formação de nuvens. A meteorologista ponderou que apesar dessa influência, isso não significa que não haverá pancadas de chuvas no decorrer do mês. ''As precipitações virão, mas com uma intensidade menor do que se esperava'', sublinhou.
A meteorologista alertou que há também a possibilidade de tempestades até o final do ano. Isso, segundo ela, pode prejudicar as lavouras. Chuvas rápidas e fortes não umidecem adequadamente o solo e as enxurradas podem trazer prejuízos às plantações.
Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), reforçou que existe a preocupação com o comprometimento da safra, principalmente por que 35% da área de soja e 38% de milho ainda estão em fase de florescimento. A pesquisadora explicou que o deficit hídrico eleva a perda de produtividade e que, se não chover rápido, o produtor pode ter prejuízos.
Apesar do risco, os preços da soja e do milho seguem na média, segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido Moreira. Na semana passada, por exemplo, a saca de 60 quilos de soja fechou em R$ 39,84. O milho terminou a semana a R$ 20,17 a saca.
Preocupação
João Francisco, produtor da Região Norte de Londrina, admitiu preocupação com a falta de chuva. Com cerca de 290 hectares de soja plantados, ele afirmou já ter percebido a baixa evolução da lavoura. ''Faz mais de um mês que não chove o suficiente para umidecer adequadamente a terra'', lamentou. Por causa disso, Francisco disse que sua safra poderá ser mais fraca do que a anterior.



