Estiagem já compromete milho e feijão
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A falta de chuva no Norte Pioneiro já provocou quebra na produção de feijão. O milho está sofrendo o ataque de lagartas, e o plantio de soja começa a ficar atrasado. Os municípios mais prejudicados são Wenceslau Brás, Tomazina, Siqueira Campos, São José da Boa Vista, Santana, Salto do Itararé.
Essa é a quarta safra economicamente comprometida, afirmou ontem o engenheiro agrônomo e produtor Taurino Alexandrino Loyola, presidente da Associação de Produtores de Cereais de Wenceslau Brás.
Em alguns municípios não chove há mais de 40 dias. Alexandrino avalia que a quebra de feijão na sua região será de 50% a 60%. Com a tecnologia utilizada no plantio do feijão de cor, seria viável colher entre 80 a 85 sacas por alqueire. Mas com a falta de chuvas, a colheita não passa de 40 sacas por alqueire, afirmou.
O acúmulo de prejuízos está excluindo o pequeno produtor de feijão, aumentando ainda mais a concentração do plantio por parte de médios e grandes produtores mais capitalizados, disse Alexandrino. Eles podem aguentar o reajuste no preço dos insumos que este ano foi muito elevado, justificou.
O Deral estima uma quebra de 36% na safra de feijão na região de Jacarezinho, considerada a mais importante na produção de feijão carioca. A estimativa inicial era colher 26.238 t, na região onde foram plantados 25 mil ha. Com o início da colheita, a previsão foi reavaliada e baixou para 17 mil t, informou a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral.
Na região de Cornélio Procópio, a falta de chuvas está prejudicando os municípios de Sertaneja, Leopólis, Santa Mariana e parte de Bandeirantes, de Andirá e Itamaracá. Também os municípios do Vale do Paranapanema são os mais críticos. Nessas localidades, onde ainda não foi iniciado o plantio de soja, afirmou o engenheiro agrônomo Rubens Pimenta de Pádua, do Deral.
Além da quebra na produção de feijão, as lavouras de milho também podem apresentar redução na produtividade e o motivo é o mesmo: ataque intenso de lagartas. Em algumas localidades, o produtor já gradeou para plantar a soja, disse o técnico. Segundo Pádua, o produtor da região está muito frustrado com a sucessão de problemas climáticos dos últimos anos. Depois da estiagem do ano passado, veio as geadas que dizimaram a produção e agora novamente falta de chuvas. A situação está ficando desesperadora, avaliou. As lojas de revendas de insumos na região estão na expectativa de uma boa safra para receber as contas atrasadas, já que a produção de soja e milho da safra 99/2000 foi frustrada.


