A falta de chuva no Norte Pioneiro já provocou quebra na produção de feijão. O milho está sofrendo o ataque de lagartas, e o plantio de soja começa a ficar atrasado. Os municípios mais prejudicados são Wenceslau Brás, Tomazina, Siqueira Campos, São José da Boa Vista, Santana, Salto do Itararé.
Essa é a quarta safra economicamente comprometida, afirmou ontem o engenheiro agrônomo e produtor Taurino Alexandrino Loyola, presidente da Associação de Produtores de Cereais de Wenceslau Brás.
Em alguns municípios não chove há mais de 40 dias. Alexandrino avalia que a quebra de feijão na sua região será de 50% a 60%. Com a tecnologia utilizada no plantio do feijão de cor, seria viável colher entre 80 a 85 sacas por alqueire. ‘‘Mas com a falta de chuvas, a colheita não passa de 40 sacas por alqueire’’, afirmou.
O acúmulo de prejuízos está excluindo o pequeno produtor de feijão, aumentando ainda mais a concentração do plantio por parte de médios e grandes produtores mais capitalizados, disse Alexandrino. ‘‘Eles podem aguentar o reajuste no preço dos insumos que este ano foi muito elevado’’, justificou.
O Deral estima uma quebra de 36% na safra de feijão na região de Jacarezinho, considerada a mais importante na produção de feijão carioca. A estimativa inicial era colher 26.238 t, na região onde foram plantados 25 mil ha. Com o início da colheita, a previsão foi reavaliada e baixou para 17 mil t, informou a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral.
Na região de Cornélio Procópio, a falta de chuvas está prejudicando os municípios de Sertaneja, Leopólis, Santa Mariana e parte de Bandeirantes, de Andirá e Itamaracá. Também os municípios do Vale do Paranapanema são os mais críticos. Nessas localidades, onde ainda não foi iniciado o plantio de soja, afirmou o engenheiro agrônomo Rubens Pimenta de Pádua, do Deral.
Além da quebra na produção de feijão, as lavouras de milho também podem apresentar redução na produtividade e o motivo é o mesmo: ataque intenso de lagartas. ‘‘Em algumas localidades, o produtor já gradeou para plantar a soja’’, disse o técnico. Segundo Pádua, o produtor da região está muito frustrado com a sucessão de problemas climáticos dos últimos anos. Depois da estiagem do ano passado, veio as geadas que dizimaram a produção e agora novamente falta de chuvas. ‘‘A situação está ficando desesperadora’’, avaliou. As lojas de revendas de insumos na região estão na expectativa de uma boa safra para receber as contas atrasadas, já que a produção de soja e milho da safra 99/2000 foi frustrada.

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