Guto Rocha e
Vânia Casado

ArquivoProteçãoSeca confirma o que os técnicos sustentam: plantio direto protege mais A escassez de chuvas aliada ao forte calor que atinge o Paraná pode provocar uma quebra de no mínimo 10% da safra de soja. O Deral ainda não está considerando a falta de chuvas com fator de quebra na produção mas as cooperativas e o mercado já trabalham com números que indicam perdas no Norte e no Oeste.
Segundo a técnica do Deral, Vera Zardo, ainda é prematuro falar em perdas. Ela reconhece o problema criado com a falta de chuvas, mas salienta que há regiões onde o plantio direto retém a umidade no solo. Este ano, 40% da área plantada com soja está no sistema de plantio direto.
O técnico da Valcoop, de Londrina, Júlio Alberto Gonçalves dos Santos, afirmou ontem que o prejuízo provocado pela falta de chuva vem se agravando. ‘‘Mesmo que chova, a perda em muitos casos já é irreversível’’, disse.
Segundo Santos, em alguns casos isolados a perda atinge 40%. As lavouras mais afetadas estão na região mais próxima da divisa com o Estado de São Paulo, como Primeiro de Maio, Sertanópolis, Alvorada e Bela Vista do Paraíso.
Santos observou que quanto mais nova a lavoura, maior o prejuízo. Ele estima que 5% das lavouras se encontram na fase de maturação, 40% em enchimento de grão, 5% em desenvolvimento vegetativo e 50% em florescimento.
O diretor-secretário da Corol, de Rolândia, Miguel Grassano Abrão, disse que a estiagem deve provocar uma perda de no mínimo 10% na área de atuação da cooperativa. Abrão disse que na região entre Sertanópolis e Primeiro de Maio, a irregularidade das chuvas prejudica as lavouras desde o início do plantio. Já na região de Jaguapitã a situação é ainda pior, por causa do tipo de solo, que é de arenito. A Corol, segundo Abrão, tem uma área ocupada com soja de 65 mil ha, com produtividade média estimada em 2,4 mil kg/ha.
Na região Oeste, que produz 35% da soja no Paraná, a situação é crítica. As pancadas de chuvas que ocorrem ocasionalmente não estão sendo suficientes para repor a necessidade de água no solo e a evaporação é muito rápida. Conforme a previsão para as lavouras de verão no estado a região Oeste responde pela produção de 2,55 milhões de t de soja. No estado, a previsão é colher 7,3 milhões de t de soja.
Segundo levantamento feito pela empresa Granoforte, de Cascavel, cerca de 40% da produtividade das primeiras lavouras de soja que estão sendo colhidas foi prejudicada. O analista Toni Silva explicou que na região, tradicionalmente são colhidas as primeiras 200 mil t entre 15 de janeiro a 28 de fevereiro. Nessas lavouras, os grãos de soja cozinharam dentro das vagens e a produtividade caiu. A previsão inicial era colher 2.700 kg/ha e agora, os técnicos trabalham com a possibilidade de colher 1.620 kg/ha.
As demais lavouras em desenvolvimento vegetativo também foram afetadas com a falta de chuvas. Silva acredita que a quebra instalada já é de 10%. As temperaturas na região estão se mantendo em torno de 42º e ele acredita que a oferta de soja não vai ser recorde como se esperava.
Com as notícias de estiagem, o preço da soja não caiu no patamar que estava sendo previsto. Ontem, na região Oeste, a saca estava cotada a US$ 14,40, enquanto a previsão para essa época era de US$ 14,00/saca. Os produtores estão prevendo que a oferta de soja será menor e por isso estão segurando a produção. E as cotações do grão na Bolsa de Chicago vêm registrando altas diárias por causa das notícias sobre a falta de chuva nas regiões produtoras de soja do Brasil.

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