Estiagem eleva preço do feijão
Falta de chuva e temperaturas elevadas em novembro agravaram as perdas nas lavouras de feijão no Paraná, que já vinham prejudicadas pelo excesso de chuvas entre setembro e outubro. A safra, que é responsável pelo abastecimento de 35% do mercado nacional, já apresenta uma quebra de 29%, ou 147.000 toneladas. O prejuízo estimado pela Secretaria da Agricultura, desde o início do plantio, com as chuvas e depois com a estiagem, é de R$ 106 milhões.
A menor entrada de feijão paranaense reflete na bolsinha de cereais em São Paulo. Os preços estão reagindo há três dias. A saca de feijão carioca extra, que era comercializada a R$ 54,00 no início desta semana aumentou para R$ 57,00, conforme foi noticiado pela Folha. Ontem, a cotação abriu novamente em alta, em torno de R$ 62,00 a saca, acumulando uma alta de 15%. No Paraná, o preço pago ao produtor não reagiu na mesma proporção. A alta foi de 3%, passando de R$ 41,00 para R$ 42,30, informou a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral.
Segundo Margorete, dificilmente os preços vão cair no varejo este ano, mesmo no período de safra. Ela acredita que deverão oscilar em torno de R$ 1,60 o quilo, o que está bem acima dos preços históricos nesta época do ano que variavam entre R$ 0,80 e R$ 1,00 o quilo. A remuneração para o produtor também vai se manter acima dos custos de produção, avaliados em R$ 22,77 a saca para quem tem uma produtividade na faixa de 17 sacas/ha.
Segundo o Deral, 85% da área que falta colher precisa de chuvas e em função disso o quadro de produção pode ser alterado. Foram plantados 501.000 hectares e 21% da área já foi colhida. O rendimento da lavoura caiu de 808 kg/ha na safra 97/98 para 764 kg/ha na safra 98/99. As maiores quebras ocorreram em Francisco Beltrão (-42,1%), em Ponta Grossa (-38%), em Curitiba (-40%), em Ivaiporã (-25%) e em Guarapuava/Irati (-15%).ArquivoSafra encolhidaPrimeiro foi o excesso de chuvas; depois a estiagem. O clima deu o tom da especulação no atacadoVânia Casado





