A estiagem e o aumento no custo de produção elevaram o preço do leite e seus derivados em até 15% no Paraná. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileite), Wilson Thiesen, trata-se de uma compensação às perdas acumuladas durante o verão.
Entre dezembro e fevereiro, o clima favorável às pastagens e as férias desequilibraram a lei do mercado (oferta e procura) com desvantagem para o produtor. ''Normalmente, o mês de abril é o mais crítico devido à mudança de estação. Este ano, a situação está um pouco pior por causa da estiagem e do aumento no custo de produção'', explicou Thiesen.
Atualmente, o Paraná é o quarto maior produtor de leite do Brasil com 10% do volume nacional, ou seja, 2,1 bilhões de litros/ano. A expectativa é que, este ano, o Estado subisse duas posições no ranking. Mas, isso não deve ser concretizado. Como se não bastasse a adversidade do clima, muitos produtores estão abandonando as vacas para dedicarem-se ao cultivo da soja que tem alcançado cotação extraordinária no mercado externo.
A única esperança de evitar um acréscimo ainda maior no preço é o sucesso nas lavouras de inverno (milho safrinha, aveia, sorgo e azevem). Considerando que o leite brasileiro é um dos mais baratos do mundo (um litro custa menos que a mesma medida de refrigerante ou água mineral), o consumo ainda é pequeno devido ao baixo poder aquisitivo da população. ''Por isso, é importante diminuir o número de intermediários entre o produtor e o consumidor. É o que pretendemos com a reativação do laticínio nos próximos 60 dias'', adiantou o presidente da Cativa, Adir Salla. De acordo com Salla, a indústria nunca perde porque sempre repassa o custo ao consumidor, como aconteceu dessa vez.
Em Londrina, o litro de leite longa vida, que chegou a custar R$ 0,89 no início do ano, hoje é vendido até a R$ 1,32. O leite em saco plástico de um litro ainda é comercializado a R$ 0,90 (tipo C) e R$ 0,95 (tipo B), mas o produto deve subir também nos próximos dias. ''Há dez anos, o preço varia entre R$ 0,89 e R$ 1,50 e nunca chega aos R$ 2,00. Pode parecer muito para o consumidor, mas para quem produz é um resultado desestimulante porque sabe-se que logo ele vai cair'', disse Salla.
Nos supermercados, o consumidor está sensível a qualquer variação de preço. O casal de microempresários João Maria e Maria do Carmo Manuel, por exemplo, já perceberam o acréscimo no valor do queijo, trocaram de marca e diminuíram a quantidade para economizar. O empresário Ivan Bonomi e a bancária aposentada Helena Maria Cabelo Muniz fizeram o mesmo com o leite e não sentiram diferença em relação à qualidade. ''Há muito tempo não compro iogurte por causa do preço. Queijo, compro eventualmente'', lembra a aposentada. Outro aposentado, que preferiu não ter o nome publicado, disse estar indignado com a alta do produto, no entanto, não abre mão da marca que mais gosta. ''Recebo R$ 800,00 por mês para sustentar a mim e minha mulher. Com certeza, gasto quase metade desse valor em alimento que não pára de subir'', justificou.

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