Curitiba - Novo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento aponta crescimento nas lavouras de soja prejudicadas pela estiagem. Segundo o relatório, nos últimos 15 dias aumentou de 1% para 2,5% a área plantada que está em condições ruins, com quebras de produção irreversíveis, e de 9% para 21% as lavouras em situação regular, com baixo potencial produtivo. Isso representa aproximadamente 970 mil hectares.
A engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo, destacou que nos municípios que margeiam o Lago de Itaipu, na região oeste, a situação é mais crítica, pois não há registro de chuva há mais de um mês. A estimativa de perda na produção continua em torno de 250 mil a 300 mil toneladas. Ela afirma que o quadro não é definitivo, mesmo porque a situação é dinâmica já que 75% das lavouras ainda estão na fase de floração e frutificação e ainda podem ser favorecidas, caso o regime de chuvas se regularize.
A estiagem, lembrou Vera, também compromete o plantio do milho safrinha que em algumas regiões já deveria ter sido concluído no final de janeiro. Segundo ela, ainda é cedo para avaliar possíveis quebras.
Com o feijão primeira safra, o problema foi oposto. O excesso de chuvas em dezembro último, no momento do início da colheita, preocupou os produtores rurais. Mas a redução na produção não é significativa, garantiu o engenheiro agrônomo do Deral, Richardson de Souza. O órgão ainda considera o levantamento inicial de 486 mil a 502 mil toneladas. Cerca de 84% dos 366,3 mil hectares de lavouras já foram colhidos.
O Deral não trabalha com a hipótese de falta de produto no mercado. Por outro lado, a retração no consumo fez cair o preço pago ao produtor. A saca de 60 quilos do feijão cores que era vendida a R$ 60, em dezembro, caiu para R$ 58, no mês passado, assim como o feijão preto que teve o preço reduzido de R$ 53 para R$ 50 a saca. Cerca de 40% da produção já foram vendidos.
Nas gôndolas, a queda no consumo também favoreceu uma pequena redução nos preços: de R$ 1,88 para R$ 1,84, no feijão cores, e de R$ 2,06 para R$ 2 no feijão preto, de dezembro para janeiro.
O Rally da Safra - expedição privada para avaliação da produção agrícola já realizada no País - pôde acompanhar de perto os problemas enfrentados pelos produtores rurais por causa da estiagem. Na última terça-feira, as quatro equipes formadas por agrônomos e jornalistas, completaram os primeiros mil quilômetros de estrada. Ontem a equipe chegou a Maringá. No caminho, conversaram com os agricultores. Um produtor de Marialva, Ivo Antonini estima que as perdas nas lavouras da região cheguem a 8%.
Outra preocupação de Antonini é com a doença conhecida por ''morte súbita'' que, no ano passado, comprometeu 30% de sua lavoura. O receio dos produtores é motivado pelo surgimento de dois focos da doença no município vizinho de Aquidabã.(Com Agência Estado)

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