Estiagem compromete produção de milho
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Vânia Casado e Guto Rocha 
ArquivoAmeaçadoO milho é a maior vítima da seca, principalmente os plantios fora da época recomendada para a safrinha A estiagem atinge todas as regiões do Estado e já compromete o plantio de milho safrinha. A situação é preocupante nas regiões Oeste e Norte Pioneiro, as mais castigadas. Em alguns municípios não chove há 50 dias. Chuvas regulares não acontecem desde fevereiro. Ocorreram precipitações em regiões isoladas mas as temperaturas estão se mantendo em alta e o solo está secando rapidamente.
Para o técnico do Deral da Seab, Francisco Simioni, ainda é cedo para dimensionar as perdas. Ele admite que se não chover com intensidade suficiente para repor a umidade do solo nos próximos dias, os prejuízos serão irreversíveis. A média de produção de milho safrinha, entre 1,6 e 1,8 milhão de toneladas, pode não ser atingida, admitiu o técnico.
Isso porque a produtividade de algumas lavouras já foi afetada, principalmente daquelas plantadas mais cedo e que agora entram na fase crítica, que é a floração. Segundo o técnico Renato Ivan Correia, da Seab, a disposição dos produtores, na região Oeste, é de gradear as lavouras de milho safrinha para plantar o trigo. Ocorre que para plantar o trigo os produtores também estão em compasso de espera, à espera das chuvas para preparar o solo. O plantio de trigo está atrasado, sendo que nesse período já era para ter sido confirmado pelo menos 5% das intenções de plantio e apenas 1% dos 750 mil hectares previstos para este ano, está plantado.
Sem previsão O Simepar está prevendo a possibilidade de chuvas na região Oeste e Sudoeste, mas de fraca intensidade e por período limitado de dois dias no máximo, o que é insuficiente para repor a deficiência hídrica do solo. Caso chova, algumas lavouras poderão ser recuperadas com adubação de cobertura.
Para o técnico Agenor Santa Rita, do Deral, a estiagem apesar de prolongada não vinha preocupando tanto porque os produtores estavam envolvidos com a colheita da soja e milho. Agora que começa o período de plantio das culturas de inverno e desenvolvimento do milho safrinha a situação começa a complicar.
Preço do milho A estiagem no Paraná ainda não refletiu na comercialização diária de milho, afirmou Paulo Molinari da agência Safras e Mercados, de Curitiba. Mas ele prevê uma alta nas cotações, entre junho e agosto, contrariando as expectativas de baixa das indústrias para este período, em decorrência da necessidade de os produtores desovarem seus estoques para pagar dívidas.
O fato é que as indústrias e cooperativas estavam apostando no bom desempenho do milho safrinha para repor seus estoques. Inclusive muitas cooperativasque estão com estoques baixos de milho de qualidade e a tendência era comprar o milho safrinha. Segundo Molinari, as empresas não estavam esperando complicações que poderiam reduzir a oferta de milho.
Outro fator que pode ter desdobramentos preocupantes em consequência da estiagem é o pagamento da securitização, alertou Molinari. Isso porque esse ano o produtor tem duas dívidas de porte para saldar. Uma é o custeio da safra e a outra é a dívida assumida junto ao Banco do Brasil, pelo plano de securitização. O produtor também estava apostando no milho safrinha ou em alguma outra alternativa de inverno para saldar pelo menos um dos débitos.
Molinari alerta os produtores que a securitização é uma dívida perigosa porque está registrada em cartório e o Banco do Brasil pode acionar os bens.
Leite Nas regiões de Umuarama e Paranavaí a falta de chuva já começa a prejudicar as pastagens, afetando a produção de leite, que caiu entre 20% e 40%. Segundo o técnico do Deral Enio Luiz Debarba, a última chuva foi no dia 2 de abril (só 0,9 mm).
Debarba afirma que, apesar da estiagem, as pastagens de Paranavaí para o gado de gado de corte ainda não apresentam problemas. As chuvas de janeiro e fevereiro foram boas e os pastos ainda suportam bem o pastoreio.
Segundo o técnico, os produtores de leite estão enfrentando mais problemas com a falta de chuva. Debarba diz que os produtores já estão utilizando suplementação no coxo. Mas o gado mestiço suporta mais a pastagem seca, observa.
O economista do Deral de Umuarama, Ático Luiz Ferreira, diz que a falta de chuvas na região também está afetando mais a produção de leite, que o gado de corte. Ele observa que o gado leiteiro teve uma redução significativa na produção. Alguns produtores estão alimentando o gado com a capineira que seria utilizada apenas no inverno, comenta.
Em Altônia, região de Umuarama, a queda na produção de leite chega a 40%, segundo o auxiliar administrativo da Indústria de Laticínio Altônia Ltda, Cláudio Enumo. O laticínio recebia no início de março 17 mil litros/dia, hoje o recebimento é de 11 mil litros/dia, afirma. O Laticínio Laís, de Tapejara, também registra queda. A queda é de pelo menos 20%. Esta diminuição está fora de época, o normal seria cair em junho/julho, diz a administradora do laticínio, Maria Inês Simoni.
Ferreira afirma ainda que os mais prejudicados com a estiagem são o produtores que apostaram na safrinha de milho. Na região de Umuarama a cultura ocupa uma área de 12 mil ha. Ainda não concluímos o levantamento, mas a situação é crítica, com perdas de 50% e em alguns casos, perda total, afirma.


