Estiagem compromete produção de milho
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terça-feira, 01 de dezembro de 1998
Vânia Casado 
As chuvas localizadas deste final de semana não foram suficientes para amenizar os efeitos da estiagem. Pelo contrário, a preocupação agora se volta para o desempenho das lavouras de milho que começam a dar os primeiros sinais de perdas no plantio. Na avaliação da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), se não chover em todo o Estado nos próximos dois ou três dias, o milho ficará seriamente comprometido.
As lavouras plantadas entre setembro e outubro, que estão na fase de floração e frutificação são as mais atingidas.Estas lavouras já começam a sofrer o ataque de pragas, principalmente a lagarta do miolo que prolifera muito em período seco, explicou o técnico Nelson Costa.
As regiões mais penalizadas são o Norte Pioneiro e o Sudoeste, disse a técnica da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Vera Zardo. Com isso, os produtores estão no desespero, porque já vinham endividados e agora estão novamente com dificuldades para financiar o replantio.
Para Costa, a gritaria do produtor contra a falta de crédito não está tão acentuada em função da estiagem. O produtor não está pressionando por mais recursos porque suspendeu o plantio. Na avaliação da Ocepar, 30% dos recursos de crédito de custeio ainda não foram liberados.
Na região de Ponta Grossa, produtores mais tecnificados estão pensando em abandonar o plantio da soja para plantar feijão, disse o agrônomo da Cooperativa Castrolanda, João Kikut. O prazo recomendado para as variedades mais plantadas na região vai até o dia 10 de dezembro e o produtor não está convencido que o tempo vai se normalizar, acrescentou. Choveu em alguns municípios dos Campos Gerais o que levou muitos agricultores à cooperativa, ontem, para comprar insumos.
Semente para replantio Na Faep, a preocupação é com a compra de semente de milho para o replantio. Segundo o assessor técnico, Jorge Proença, muitos produtores estão com dificuldade de encontrar a semente, o que abre a possibilidade de não se confirmar a área prevista para a cultura no Estado que é de 1,55 milhão de ha.
Proença prevê o aumento significativo do custo de produção do milho em função da estiagem, principalmente para o produtor que não está coberto pelo seguro.O investimento no replantio e em produtos para combater o ataque de pragas vai aumentar os custos, observou.
Para Proença, a falta de chuvas regulares em todo o Estado está desanimando o produtor que já começou a safra 98/99 com perdas. Primeiro foi na colheita do trigo, depois a seca que acabou com 22.380 ha ocupados com o feijão.


