Estiagem começa a prejudicar safra
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A estiagem não dá trégua em algumas regiões do Paraná e tem sido um dos fatores que estão prejudicando a safra 2004/2005. Dentre as culturas mais afetadas estão a soja e o milho, plantadas nos meses de outubro e novembro do ano passado e agora na fase de floração e frutificação. A situação é mais crítica na microrregião de Francisco Beltrão, próximo a Salto do Lontra, Santa Isabel do Oeste e Pinhal de São Bento, no Sudoeste do Estado, onde não chove forte desde janeiro. No Norte, produtores de Sertanópolis (50 km de Londrina) já sofrem com a adversidade do clima.
O técnico Antoninho Fontanela, do Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Deral/Seab) disse ontem à Folha que ainda não existe cálculo sobre a quebra da safra, mas nas lavouras de milho as perdas já são visíveis. ''Principalmente o milho que foi plantado em outubro'', observou ele, lembrando que a estiagem é a repetição do problema enfrentado pelos agricultores nesta mesma época no ano passado. Em 2004, as perdas chegaram a 35% da safra.
''O risco agora é maior, tanto para soja como para o milho, pois a seca tende a ser maior'', informou Fontanela. A maioria do plantio de soja está em fase de floração e frutificação - período decisivo para a produtividade. Ainda, conforme o técnico, há o problema das culturas que precisam ser plantadas como o milho, soja e feijão, da chamada safrinha. Sem umidade no solo, os agricultores estão impedidos de plantar.
Segundo Fontanela, produtores e lideranças dessas regiões já começam a se mobilizar para tentar evitar os prejuízos. Se a chuva não chegar dentro de 10 a 15 dias nesses municípios, as prefeituras dessas cidades poderão decretar estado de emergência. Em Salto do Lontra, por exemplo, o prefeito Luiz Carlos Gottardi já estabeleceu contato com os dirigentes da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) para examinar a tomada de medidas conjuntas visando enfrentar os problemas.
Na região de Sertanópolis, a preocupação dos agricultores é a mesma devido a estiagem dos últimos 15 dias. O agricultor Divino Soriani, que planta 115 alqueires de soja teme grande quebra de produtividade. Segundo ele, mais de 60% da lavoura está em fase de granação e as chuvas seriam bastante benéficas nesse período. ''A chuva precisa vir rápido, senão as perdas poderão ser grande. Ele já calcula quebra de produção em 20%. ''No mês de janeiro choveu bastante e foi ótimo para o desenvolvimento da planta que se acostumou com a umidade'', comenta ele, que além da estiagem vai enfrentar também os preços baixos da saca, em torno de R$ 26,50.


