O longo período sem chuvas, principalmente na região Norte do Estado, antecipou a entressafra do leite esse ano. E tudo indica que ela será mais prolongada que em anos anteriores, afirma Nelson Costa, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A queda na produção de leite combinada com o aumento da demanda industrial está refletindo na melhoria dos pagamentos feitos aos produtores.
A falta de chuvas afetou as pastagens, que perderam vigor, e está prejudicando também as pastagens de inverno, que não estão crescendo como deveriam. A consequência é a redução da alimentação aos animais e na produção de leite, que chega a retrair entre 10% e 15% nesse período, segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Costa disse que os reflexos ao consumidor não serão tão acentuados já que o período de entressafra e redução na produção já foi antecipado. Segundo ele, o consumidor já está pagando em Torno de R$ 1,00 o litro do leite longa vida. Ele acredita que haverá novos aumentos nos preços do leite.
Na verdade os preços do leite vêm se mantendo em alta desde o segundo semestre do ano passado, em pleno período de safra. Desde outubro do ano passado, se esperava um aumento de produção de 15% a 20% que não houve. Segundo o médico veterinário da Secretaria da Agricultura, João Carlos Koehler, as condições climáticas frustraram essa expectativa. Em função disso, os produtores já vinham recebendo em média R$ 0,27 o litro. Esse ano, as indústrias chegaram a pagar até R$ 0,33 o litro em algumas regiões.
A média de pagamento feita aos produtores no Estado foi de R$ 0,27 em março e R$ 0,29 o litro, em abril. Para esse mês, Koehler acredita que o preço médio deve evoluir para R$ 0,30 o litro, o que permite uma sobra que varia de R$ 0,07 a R$ 0,10 por litro, dependendo da capacidade de produção e da região, frisou. Com isso, os produtores estão recuperando a capacidade de investimentos na propriedade, disse o técnico.
Para Costa, os reflexos desses investimentos que estão sendo motivados pela melhoria no pagamento do leite, poderá ser sentidos a partir da próxima safra. ‘‘Esperamos um aumento de 6% na produção anual de leite, que é de 1,9 bilhão de litros’’. Os investimentos estão ocorrendo em pequena escala, porque o produtor não dispõe de crédito, mas aos poucos ele está modernizando seu sistema de produção para se enquadrar à nova legislação, que prevê a necessidade de instalação de resfriadores de leite em todas as propriedades até junho de 2.002.
Segundo Costa, é cedo ainda para concluir que estão sendo feito investimentos significativos. Isso porque o setor vem de um longo período de preços ruíns e do ano passado para cá, que as cotações melhoraram e ficaram acima dos custos de produção. Os investimentos maiores exigem planejamento a longo prazo, que passa pela estabilidade das cotações acima dos custos de produção e maior disponibilidade de crédito.
Costa destaca que as importações de leite ainda são grandes e elas constituem uma ameaça aos produtores. Ele lembrou que o setor está vigilante para evitar o retorno da prática das importações de leite subsidiado.

mockup