Curitiba - A estiagem antecipou a colheita do café, que amadureceu mais cedo na lavoura. Cerca de 38% da área plantada já está colhida, quando na safra passada nessa mesma época apenas 15,2% da produção estava colhida. O quadro de plantio e colheita das principais lavouras do Estado, divulgado ontem pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento revela que a safra continua estocada, apesar do avanço da colheita.
Diferente do produtor de grãos (soja e milho), o cafeicultor acelerou a venda do café colhido para aproveitar o mercado, antes da entrada da safra de Minas Gerais. O produtor já vendeu 14% da safra de café, quando no ano passado na mesma época havia vendido apenas 2,8%.
Enquanto isso, a venda de algodão, milho e soja está em compasso de espera. Segundo o técnico Dirlei Antonio Manfio, se o produtor teve prejuízos com a estiagem, não quer perder agora na comercialização. Por isso está retendo a produção na expectativa de que os preços venham a reagir. Infelizmente o produtor não está sendo beneficiado pela regra de uma queda na produção provoca dispara nos preços. ''Isso porque o Brasil é tomador e não formador de preços. Os preços das commodities são formados no mercado externo'', explicou.
Apenas 66% da produção de algodão foi vendida quando no ano passado nessa mesma época, 95% da safra estava comercializada. A queda de 30% no ritmo de vendas foi provocada pelos baixos preços da cultura, afirmou Manfio.
A comercialização de soja apresenta uma defasagem de 37% e a de milho, 18% em relação ao ritmo verificado na safra passada. Apenas 41% da soja da safra deste ano foi vendida, quando na mesma época do ano passado 65% da produção de soja estava comercializada. Cerca de 42% da produção de milho está vendida, contra 52% de vendas verificadas no ano passado, nessa mesma época.
Conforme o secretário da Agricultura Orlando Pessuti anunciou no início da semana, o Paraná está perdendo cerca de R$ 12 bilhões com os prejuízos provocados pela estiagem. A perda específica com a safra de grãos foi quantificada em R$ 2,5 bilhões. O restante, corresponde a uma estimativa dos prejuízos verificados ao longo da cadeia produtiva como a mão-de-obra que deixou de ser gerada no campo, as perdas verificas na pecuária de corte e leite e dos insumos que deixaram de ser consumidos.
Na avaliação da colheita do café, feijão das secas, soja e milho safrinha, a soja safrinha foi a que mais sofreu com uma perda de 45%. Segundo o Deral, as condições das lavouras são ruins a regulares em cerca de 80% da área ainda a ser colhida. Em Londrina, toda a produção de soja safrinha está perdida. A área plantada na região atingiu 985 hectares.

mockup