Mônica Ciarelli
Agência Estado
A estiagem que atingiu o Sul do País no final de 1999 vai pressionar o preço dos produtos agrícolas este ano. Um estudo da Consultoria Tendências prevê aumento médio de 21%, com destaque para a alta nos preços do milho, arroz e feijão. ‘‘Esse será novamente um foco de preocupação para o governo’’, alerta Fábio Silveira, da Tendência. Também aumenta o preço do café, em menor percentual.
A variação dos preços agrícolas vai superar de longe a inflação de 8,5% projetada para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) este ano pelos economistas. A maior pressão será verificada na inflação no atacado, que capta diretamente os aumentos dos preços internacionais e os problemas climáticos. O segmento foi um dos principais responsáveis pelo repique inflacionário do ano passado. A desvalorização cambial pressionou os preços agrícolas, com a disparada dos preços sendo compensada em parte pela safra recorde.
‘‘Os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que os problemas climáticos do final do ano passado afetaram a safra 2000’’, afirma. Ele lembra que o próprio governo já identificou o problema e anunciou a liberação de R$ 1,2 bilhão para amenizar as dificuldades de abastecimento na entressafra.
O estudo da consultoria revela que o preço da saca de milho está 65% acima do verificado em fevereiro do ano passado. A alta é mais preocupante pelo seu efeito em cadeia. ‘‘O produto serve de insumo na produção de frangos e suínos’’, observa. ‘‘A expectativa é de que esses preços também aumentem, principalmente, no período da entressafra’’, prevê. O economista acredita que o milho possa subir ainda mais 20% ao longo dos próximos meses.
Já o economista da PUC Luiz Roberto Cunha minimiza os efeitos da redução na produção agrícola sobre os preços em 2000.

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