A falta de chuvas está agravando a situação das lavouras de milho e soja do Paraná. Em apenas uma semana, as perdas nas duas culturas aumentaram em 10% (soja) e 6% (milho). O levantamento divulgado ontem é do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Nesta semana, apenas 55% da área plantada de milho e 65% das plantações de soja estavam em boas condições. Os cálculos dos prejuízos ainda estão sendo feitos e deverão ser divulgados somente na próxima semana.
Segundo relatório do Deral, 45% da área plantada de milho está em condições desfavoráveis. Deste porcentual, a qualidade em 31% é regular e em 15% é ruim. A seca ainda provocou queda da produtividade no Sudoeste, a região mais prejudicada do Estado. Até agora, estão sendo colhidos entre 4 mil e 4,2 mil quilos do grão por hectare. Em condições normais, esse número iria variar de 6.310 quilos a 6.830 quilos por hectare. Os municípios de Francisco Beltrão e Pato Branco já iniciaram a colheita.
''Se a estiagem afetou o milho na época da floração, o grão não foi formado e não há mais recuperação, nem se chover'', afirma Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral. Já a safra de soja, 30% estão em situação regular e 5% em condições ruins. No entanto, o impacto da seca na oleaginosa é menor do que no milho. A ocorrência de chuvas nesse período poderá minimizar as perdas. A Região Oeste já começou a colher parte da área plantada, onde foram semeadas cultivares precoces.
Em termos de perdas porcentuais, o feijão da safra das águas é a cultura que mais acumula prejuízos. As condições das lavouras são desfavoráveis para cerca de 53% da área plantada, que são classificadas como ruins ou regulares. A seca atrapalha ainda o plantio da segunda safra do feijão. Até agora, foram plantadas 14,5% da área; no mesmo período do ano passado, esse índice era de 24%. ''O produtor está cauteloso e deverá retornar ao plantio somente quando o solo tiver umidade suficiente para garantir boa germinação'', afirmou Dirlei Antonio Manfio, do Setor de Previsões de Safra do Deral.
Quanto à plantação de algodão, 31% da área está avaliada entre ruim e regular. As fases da lavoura estão concentradas entre a floração e frutificação (81%) e na região de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), uma pequena área já atinge a maturação. A estiagem também impede o produtor de fazer o plantio da safra da seca e, por isso, cerca de 15,4% da área estimada foi plantada. ''As condições das lavouras desta safra, mesmo em fase inicial de germinação e desenvolvimento estão sentindo a falta de água para seu perfeito desenvolvimento'', disse Manfio.

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