Curitiba - A falta de chuva e a baixa umidade relativa do ar afetam várias regiões do Paraná. Em algumas regiões do Estado foram registrados nos últimos dias índices inferiores a 20% - o tolerável é de 30%. A falta de umidade atrapalha o desenvolvimento das lavouras instaladas e impede o plantio, como no caso do feijão, já atrasado nas regiões norte, noroeste e sudoeste.
De acordo com o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Deral), além de afetar a cultura de feijão, a seca está atrasando o transplante de fumo, o plantio de mandioca e, em algumas regiões, o de milho. Os prejuízos se estendem ainda às lavouras de amoreira (bicho da seda) e cana-de-açúcar, que não conseguem se desenvolver.
Também foram registradas perdas de massa verde, as pastagens de inverno - a redução da comida para o gado pode afetar a produção de leite. Em algumas fazendas já há registro de perda de peso do rebanho.
''Agosto é considerado o mês mais seco no Paraná, mas este ano as precipitações ficaram abaixo da média e mal distribuídas geograficamente no Estado'', disse o chefe da Divisão de Conjuntura do Deral, Luiz Roberto de Souza. Ele lembra que em alguns municípios do norte e do noroeste não chove há mais de 50 dias e, mesmo que ocorra alguma precipitação logo, as lavouras já estarão sendo plantadas fora da melhor época recomendada pelos órgãos de pesquisa, o que pode prejudicar o desenvolvimento da planta.
Segundo Luiz Roberto, as imagens de satélite não apontam possibilidades de chuvas que possam reverter esse quadro nos próximos dias. A situação porém não é tão grave para as grandes lavouras de milho e de soja. Para elas ainda não há risco de prejuízos, uma vez que só começam a intensificar a plantação no início de outubro.
Ainda de acordo com o técnico do Deral, em situações como essas é necessário que o produtor tenha reserva de alimento para o gado, tanto em forma de silagem quanto em feno - ''formas antigas de estocar alimento, mas às vezes esquecidas pelos pecuaristas'' -, lembrou. Mesmo as pastagens nativas ou perenes estão com baixo desenvolvimento nessa época.
Outra preocupação da Secretaria da Agricultura são os riscos de queimada, já que os pastos estão secos, primeiro em decorrência de geadas e, agora, devido à seca.

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