As oportunidades de emprego para profissionais da beleza cresceram 278% em 16 anos no País, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o que aumenta a busca por especialização no setor. Coordenadores de cursos universitários e profissionalizantes de Londrina estimam a ampliação da procura de alunos em ao menos 50% nos últimos três anos.
Com salários médios estimados entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil para técnicos e de R$ 3 mil a R$ 5 mil para tecnólogos, Londrina ainda apresenta mercado para mais profissionais. A coordenadora do curso de Tecnologia em Estética e Cosmética do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Mylena da Costa, diz que as pessoas costumam separar parte do orçamento para cuidar da saúde e da beleza, o que faz com que o mercado se mantenha aquecido. ''O setor nunca passa por crise, só cresce'', afirma. Tanto que, da primeira turma da Unifil, aberta em 2009 e formada no fim de 2011, Mylena diz que todos saíram empregados.
Na Universidade Norte do Paraná (Unopar), o curso sequencial Estética e Imagem Pessoal foi criado em 2003 e, com a demanda crescente, uma graduação foi criada em 2010 e outra será aberta em 2013. ''Muitos nos procuram até sem conhecimento prévio na área, porque escutam de colegas sobre as oportunidades'', conta a coordenadora dos cursos de estética, Sílvia Felix.
No site do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), a procura por informações sobre cursos na área quase triplicou entre janeiro e setembro de 2012 na comparação com o mesmo período de 2011. Foram 149,6 mil acessos nos links sobre beleza neste ano, ou 16% das 955,5 mil buscas por área, ante 56 mil em 2011, ou 14% do total de 416,2 mil. O segundo colocado na lista do Senac neste ano foi informática, com pouco mais da metade de consultas de estética, ou 89,4 mil.
As aulas para profissionais de beleza são responsáveis por 20% das matrículas do Senac do Paraná, diz a assistente de gerência do serviço em Curitiba, Soraya Vital. ''A concorrência nos cursos gratuitos chega a dez candidatos por vaga.''
Terceiro do mundo
Mesmo na comparação com as economias emergentes, o Brasil é o que mais ganha terreno no setor. Os consumidores nacionais gastaram US$ 36,187 bilhões em 2010 e R$ 43,028 bilhões em 2011, uma ampliação de 18,9%. Terceiro colocado do mundo em números absolutos, o País cresceu mais do que China, com 16%, e Rússia, com 14,7% (veja quadro).
A ampliação da geração de renda no País é um dos motores do mercado, mas a Abihpec também aponta como motivos a participação crescente da mulher no mercado de trabalho e o desenvolvimento de tecnologias de ponta para baratear produtos e serviços. Há ainda o aumento da expectativa de vida, que faz com que a população busque manter uma imagem de juventude.
Com fatia de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, a Abihpec estima que o faturamento do setor chegue a 2% da economia neste ano. ''O setor mantém um crescimento médio de 10,9% em vendas líquidas ex-factory (na saída da fábrica, sem impostos sobre o consumo) nos últimos cinco anos, motivado especialmente pelo aumento do poder de consumo da classe C e do investimento de nossas indústrias em mídia, inovação e tecnologia'', diz o presidente da entidade, João Carlos Basilio.
Oportunidade
A esteticista Daniela Hirano Sakurai está no último ano do curso universitário da Unifil. Ela afirma que procurou formação não apenas por afinidade, mas porque viu que o mercado está em crescimento. ''As pessoas estão mais preocupadas com estética em geral, com a pele, com o corpo, e não só com o cabelo.''
Perto de se formar, ela conta que abriu um salão, no Centro de Londrina. ''Tinha feito um curso técnico, mas não tinha todos os conhecimentos e busquei me especializar.''

Imagem ilustrativa da imagem Estética gera oportunidades de trabalho e busca por cursos
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