Este ano não é do produtor
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
Marco Feltrin<br>Equipe Bonde 
"Este ano não é do produtor. Nunca tinha visto geada como esta". Com semblante preocupado diante do prejuízo iminente, o agricultor Eliel dos Santos observava a plantação de repolho coberta pelo gelo no Patrimônio Selva, distrito na zona sul de Londrina.
Às 5h, o traço no termômetro instalado em uma árvore denunciava: temperatura de 0,3 graus negativos. Marca acompanhada por Santos, que não pregou os olhos durante toda a noite. "Tentei dormir por volta das 10h, mas a preocupação não deixou. A gente estava acompanhando e sabia que viria a geada. Pouco depois da meia-noite, já percebi que as verduras estavam congelando. Corri para ligar a irrigação e tentar salvar o que dava", relata. As estufas com hortaliças, que geralmente são desligadas no fim de tarde, ficaram todas ligadas, com água correndo para evitar o congelamento, mesmo com os produtos cobertos.
A conta do prejuízo ficará apenas para os dias seguintes, quando as verduras atingidas pela geada ganharão cor amarelada. Uma nova colheita, segundo o produtor, só deve ocorrer em dois meses. Por conta da variedade presente na propriedade, não há seguro disponível para cobrir as perdas.
É a terceira vez neste ano que Santos fica no vermelho por conta do clima. Em janeiro e junho, as fortes e constantes chuvas que ocorreram na região também trouxeram prejuízos. "Quando estávamos começando a nos recuperar, vem a geada."
Em propriedades vizinhas, também foi possível ver culturas como trigo e milho sendo destruídas pela geada. O resultado, segundo o produtor, será sentido em breve no bolso do consumidor. "A verdura já estava mais cara. Essa geada vai elevar o preço ainda mais".
Com o nascer do sol, às 7h, o termômetro ainda não havia atingido a marca de um grau positivo. "Espero que o tempo melhore logo para voltar a plantar o mais rápido possível. A gente não pode parar".


