Estatísticas revelam redução das greves
O desemprego e a estabilidade da moeda deixaram fortes marcas nas estatísticas sobre greves no ano passado. O número de grevistas no Brasil caiu 90% desde 1990, e 66% na comparação com 1996. No início da década, 804.311 trabalhadores cruzaram os braços, principalmente por mais salário. Em 1996, 240.199. No ano passado, apenas 80.355, que reclamavam, em sua maioria, não aumentos, mas sim pagamento de salários, especialmente em pequenas empresas em dificuldades, nas quais os empregados tinham pouco a perder.
O levantamento é do Dieese e trabalha com médias de janeiro a novembro de todos os anos desde 1990. Os números de dezembro de 1997 ainda não estão disponíveis, mas dados parciais revelam que a tendência é de maior queda ainda. Já número de greves caiu menos: 35% desde o início da década, mas pelo número baixo de grevistas é possível concluir, segundo o Dieese, que as mobilizações envolvendo categorias inteiras, ou todos os empregados de grandes empresas, não deram muitos sinais de vida no ano passado.
A questão, segundo a entidade é: quem faria greve por reajustes de 4%, no máximo 5%, para cobrir a baixa inflação do período? E mais: quem faria greve sob risco de perder o emprego e não encontrar outro nas mesmas condições de segurança e remuneração?
Mas, o medo do desemprego é a parte pouco agradável que os números revelam, segundo o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Délvio Buffulin. O lado bom, de acordo com ele, foi o aperfeiçoamento dos instrumentos de negociação no Brasil. Hoje existe um entendimento por parte dos trabalhadores de que é melhor garantir o emprego do que exigir das empresas aquilo que elas não podem dar. Ou seja, os empregados buscam informações sobre a situação financeira da empresa antes de uma greve ou de processos na Justiça, preocupados em mantê-la em atividade, acima de tudo. (L.P.)





