Rio de Janeiro - O superávit comercial obtido pela Petrobras em 2003 - o primeiro da história da companhia - deve ser estendido a todo o setor de petróleo e combustíveis já neste ano, segundo avaliação da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). A estatal fechou o ano com um saldo positivo de US$ 103 milhões, mas importações de óleo bruto e derivados por empresas privadas fizeram com que a balança do setor apresentasse um déficit de cerca de US$ 1,7 bilhão.
''A tendência é de que em 2004 a balança do petróleo passe a ser superavitária'', prevê o diretor-executivo da AEB, José Augusto Castro. ''Não há mais aquele clima de 'Deus nos acuda' que existia a qualquer movimento do preço do petróleo nos anos 70 e 80, pois agora a alta do preço não tem mais tanto impacto na balança'', afirma Castro, lembrando que este setor já foi responsável por mais de 60% das importações brasileiras.
Em 2003, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, petróleo, combustíveis e nafta representaram pouco mais de 11% da pauta de importações. Em dezembro, os itens relacionados ao petróleo chegaram a apresentar superávit de US$ 173 milhões.
Houve crescimento expressivo nas exportações de petróleo bruto e óleos combustíveis -25,46% e 61,60%, respectivamente. As exportações de gasolina mantiveram-se no mesmo nível, com alta de 4,55%. Por outro lado, as importações de óleos combustíveis caíram 26,28% e as de gás liquefeito de petróleo, 17,98%.
Além da queda do consumo nacional de combustíveis, a Petrobras diz que o bom resultado na balança é fruto do maior aproveitamento de petróleo nacional nas refinarias. Castro acredita que a retomada econômica não vai reverter a situação.

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