Estatais terão de cortar gastos em 97
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de janeiro de 1997
Lu Aiko Otta Agência Estado 
As empresas estatais precisarão fazer um novo aperto neste ano para atingir a meta de um superávit primário (receitas menos despesas, excetuados juros) de 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 1996, o resultado foi positivo, porém um pouco menor: 0,45% do PIB. Para isso, elas precisarão promover um corte de 10% das despesas de custeio, o que representa algo em torno de R$ 1,5 bilhão.
O desempenho positivo das estatais será fundamental para que seja atingida a meta determinada para o setor público como um todo, de 1,5% do PIB, segundo anunciou na semana passada o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente. Esse resultado será obtido basicamente com o esforço do governo federal e das estatais, uma vez que os governos de Estados e Municípios, que também entram na contabilidade, conseguirão na melhor das hipóteses atingir equilíbrio entre receitas e despesas.
Adotamos uma série de medidas que darão condições para atingir a meta, explicou à Agência Estado o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Martus Tavares. A principal delas, anunciada em outubro, determina que as empresas extingam, nas datas-bases de seus empregados, benefícios que superem o determinado em lei. Algumas empresas, por exemplo, pagam adicional de férias de 70% a 100% a seus empregados, quando a regra é um terço. Outras pagam adicional de hora-extra de 100%, quando a legislação exige 50%. Todos esses benefícios serão extintos durante as negociações das datas-bases, exceto aqueles que já configuram direito adquirido.
O reajuste dos preços dos combustíveis, autorizado no final do ano passado, deverá contribuir para o aumento das receitas das estatais, estimado neste ano em R$ 14,7 bilhões. Em 95, antes dos reajustes tarifários e da eliminação de subsídios nos preços dos combustíveis, da energia elétrica, das tarifas telefônicas e postais, as receitas chegavam a pouco mais de R$ 10 bilhões. Das despesas previstas, mais da metade são investimentos da Telebrás, que deverão atingir R$ 7,9 bilhões. A maior parte virá de recursos próprios das estatais.
Com os reajustes tarifários, as estatais estão modificando o perfil de financiamento dos investimentos, com maior utilização de recursos de geração própria, em vez de recorrer a empréstimos bancários. Em 95, a captação líquida das estatais (o que tomaram emprestado junto aos bancos menos o que pagaram) foi de R$ 2 bilhões. No ano passado, esse valor havia caído para R$ 500 milhões. Nesse contexto de preocupação em conter o déficit público, esse dado é positivo - embora não sejamos contra as estatais tomarem empréstimos, dependendo da forma de financiamento, disse Tavares.


