Kraw PenasExperiência positivaGomide, presidente da Escelsa, que foi privatizada e reverteu sua situação de caixa: empresa deixou de perder US$ 100 milhões ao ano para passar a lucrar US$ 80 milhõesO processo de privatização do setor elétrico, defendido pela Eletrobás e apoiado pela experiência positiva das Centrais Elétricas do Espírito Santo (Escelsa), não deverá ser a única transformação pela qual passarão as empresas elétricas. Mesmo nos Estados que não pretendem deixar de ter o controle acionário das empresas do setor, como é o caso da Copel, no Paraná, a estratégia é buscar parceiros para diminuir os gastos e aumentar o faturamento.
Dependendo apenas da aprovação da Assembléia Legislativa, a lei permitindo que a Copel oficialize as parcerias deverá possibilitar a construção de outras 22 usinas hidrelétricas no Paraná. Segundo o presidente da Copel, Ingo Hubert, a atuação conjunta com outras empresas fará com que o Estado gaste menos com investimentos e obtenha lucros maiores que os atuais. A previsão do governo é que a taxa de retorno da empresa cresça dos atuais 5% a 15% ao ano, permitindo investimentos em projetos alternativos.
Além de permitir o reinvestimento destes percentuais de lucro dentro da própria Copel, Hubert afirma que as parcerias poderão permitir, dentro de dois anos, o barateamento das tarifas cobradas para consumo de energia. ‘‘Com a diminuição generalizada dos custos da empresa, os consumidores também serão beneficiados’’, afirma.
A nova estratégia da empresa foi comentada ontem pelo presidente da Copel durante o seminário Em busca de novos mercados, que teve a presença do presidente da Escelsa, Francisco Gomide. A Escelsa, primeira empresa elétrica brasileira a ser privatizada, em 95, pretende partir para a disputa por novos mercados, o que inclui a atuação como concessionária de uma TV a cabo.
Gomide considera a diversificação de mercado o passo seguinte após a privatização, como comprovação de que a mudança foi bem-sucedida. ‘‘Os investidores querem sempre possibilidades de crescimento nos lucros’’, comenta. Em um ano, desde que foi privatizada, a Escelsa passou de um prejuízo anual de US$ 100 milhões para um lucro líquido de US$ 80 milhões. No caso da Copel, a diversificação da atuação da empresa está sendo planejada para daqui a cinco anos, com o aumento da participação na instalação de cabos de fibras óticas.

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