Arquivo FolhaRecadoAbram Szajman: ‘‘Precisamos ter tranquilidade, porque o Brasil vai continuar vendendo’’O presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), Abram Szajman, disse estar preocupado com a comunicação dos efeitos dos aumentos das taxas de juros junto aos consumidores, que estão sendo ‘‘mais assustados do que deviam’’. E manda um recado para os lojistas: ‘‘O pátio da fábrica é o almoxarifado da loja; os comerciantes devem trabalhar com estoques baixos e muita cautela’’, disse ele. Ele recomenda confiança: ‘‘Precisam ter tranquilidade, porque o Brasil vai continuar vendendo’’.
Na sua avaliação, os consumidores do dia a dia, de alimentos, sapatos e roupas, não deveria ser atingido. ‘‘Andam assustando muito o consumidor, principalmente esse consumidor do dia a dia, mais do que se devia’’, disse. Segundo ele, os consumidores das classes C e D não pensam em bolsa de valores e essas compras do cotidiano não estão sendo afetadas. ‘‘É preciso dar uma acalmada em tudo isso; o alcance dessas medidas é mais limitado do que estão divulgando’’, argumentou. Para Szajman, as medidas atingem mais o mercado de bens duráveis e de automóveis.
Esse não é um cenário desconhecido dos lojistas, e nem dos consumidores, comentou. ‘‘Essa taxa é a mesma de antes de abril do ano passado, quando o governo baixou as restrições ao crédito e tinha limitações de parcelas’’, disse. Na sua interpretação, o consumidor quer saber se a prestação cabe no seu bolso. ‘‘O problema maior é a renda do consumidor. Os funcionários públicos, por exemplo, estão há mais de mil dias sem reajuste de salários’’, lembrou ele.
Ele insistiu em ressaltar que ‘‘o consumidor está sendo assustado e é preciso dar uma acalmada’’. Segundo ele, não há espaço para o repasse de juros, porque o comércio está em ‘‘concorrência brutal’’. Se as vendas ficarem paralisadas, disse ele, o próprio consumidor será atingido, porque seus efeitos acabam provocando desemprego.

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