Os primeiros reflexos da crise econômica no Brasil não confirmaram os piores prognósticos decantados por diversos setores da economia. A contar da pesquisa divulgada pelo IBGE esta semana sobre o comércio em geral, a economia nacional continua fortemente aquecida. Do outro lado dos trópicos e além-mar, autoridades econômicas chegaram a afirmar que economias emergentes como a do Brasil, serão a bola da vez na economia mundial. Em face destes primeiros sinais, a Folha de Londrina resolveu repercutir com especialistas da área econômica o que está reservado para o Paraná, o Brasil e países em franco desenvolvimento.
Os economistas Vanderlei Sereia e Miguel Arturo, pela Universidade Estadual de Lodrina (UEL), e Nilson Maciel de Paula, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) concordam de maneira unânime que a economia brasileira crescerá em 2009, porém com menos velocidade. As discordâncias e pontos comuns discutidos com os entrevistados (leia nesta página), apontam um cenário ainda ''poeirento'', onde a turbulência das quedas na bolsa e a falta de crédito farão muitas empresas, bancos e governos quebrarem literalmente. Um exemplo, são os argentinos que sentirão piamente a recessão e o Brasil exportará menos para aquele país.
As notícias na Europa apontam que seremos a bola da vez. A revista inglesa The Economist afirmou está semana que os países emergentes estão descolados da crise americana. A publicação inglesa mais respeitada da área econômica, também avalia que países como o Brasil vão continuar a crescer. Por fim, a edição inglesa vaticina que o Brasil está preparado para a crise. No bojo deste raciocínio, residiria o fato de que países emergentes como China, Brasil, Rússia, Oriente Médio e Índia consolidaram nos últimos anos relações multilaterais de importação e exportação de produtos industrializados e commodities.
Nada mais saudável, se ficarmos deitados em berço explêndido esperando tudo o que o semanário inglês prevê. Os economistas entrevistados pela FOLHA preferem a cautela, apenas Sereia descola deste discursso, dizendo que um ''efeito utrapassagem'' estaria em curso, com os vagões das economias emergentes atropelando a locomotiva americana. A analogia se baseia na modernização do parque industrial chinês, competitivo e com produtos de qualidade, em que pese o desrespeito ambiental. Os chineses poluem o ar com a queima de carvão mineral para movimentar sua indústria.
Nem tudo é oportunidade num mundo cheio de riscos e interesses econômicos. Como diz Arturo, da UEL: ''como explicar para raposa que ela não pode mais comer galinha''. A comparação descreve as nações ricas não querendo perder seu poderio econômico para países emergentes. Para manter tal hegemonia, o professor não descarta o protecionismo dos países economicamente poderosos. Além disso, a retaliação seria amplificada com subsídios agrícolas, que tornariam os preços agrícolas dos países como o Brasil pouco competitivos na hora de bater de frente com americanos e europeus.
O saldo desta história não confirma de maneira definitiva um final feliz. O que os economistas entrevistados apontam é que a quebradeira mundial será no ano que vem, depois da ressaca carnavalesca. Os respingos desta crise não impedirão que a economia brasileira cresça, embora não 7% do PIB como estava previsto no início deste ano, mas 4%. Para além de 2009, os especialistas calculam que o mundo levará cerca de 5 anos para voltar aos mesmos níveis de atividade econômica dos últimos 8 anos.

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