Estagnação das vendas não atinge veículos caros
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A estagnação nas vendas de veículos, verificada pelo quinto mês consecutivo em todo o País, passa longe das vendas de carros de luxo e caminhonetes no Paraná. Nas vendas de veículos acima de R$ 30 mil, os clientes pagam em dinheiro e à vista. Mas nas vendas de veículos abaixo de R$ 20 mil, os chamados populares as concessionárias do Estado, como no resto do País, também têm que recorrer a promoções e parcerias com montadoras e bancos se quiserem alavancar as vendas.
No Paraná, as concessionárias do Interior estão vendendo bem os veículos mais caros. De acordo com o diretor da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores - Regional Paraná (Fenabrave), Luís Antônio Sebben, o excelente desempenho da safra no Estado impulsionou as vendas de carros e caminhonetes no primeiro semestre do ano. As concessionárias de cidades como Cascavel, Pato Branco, Londrina, Maringá e Campo Mourão não têm do que reclamar.
O bom desempenho do agronegócio que exportou quase tudo o que produziu impulsionou as vendas principalmente de caminhontes. Em compensação, as concessionárias de veículos de Curitiba e Região Metropolitana estão andando de lado, observou Sebben. A concessionária Slaviero conseguiu elevar as vendas em 30% a 35%, em função des promoções.
As vendas de comerciais leves (caminhonetes, pick-ups e vans), cresceram 19,80% no mês de maio em relação ao mês anterior, quando foram vendidas 1.809 unidades. Já o segmento de automóveis apresentou queda de 3,78% no mês de maio, em relação ao mês anterior. No total, foram vendidas 15.702 unidades em maio, acumulando 75.323 veículos vendidos este ano, o que corresponde a um aumento de 13,33% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram vendidos 66.463. No total, as vendas de motociclestas continuam liderando as vendas de veículos automotores.
Para conseguir vender carros, principalmente os populares, as concessionárias estão firmando parcerias com as montadoras, em que cada uma abre mão de aproximadamente 50% de suas margens. Os bancos das montadoras também oferecem taxas atrativas de juros, de até 1% ao mês para alavancar as vendas de veículos.
Sebben confirmou que a dificuldade maior está nas venda de veículos mais baratos, o que não deveria acontecer, salientou o presidente da Fenabrave. Isso porque eles estão bem mais baratos hoje, em dólar, do que há 10 anos. Sebben lembrou que em 1992 quando o ex-presidente Itamar Franco relançou o Fusca no mercado, ele mesmo sugeriu o valor de US$ 7,5 mil. Com o dólar no valor atual, em torno de R$ 3,00, o Fusca que corresponde a um carro popular estaria na faixa de R$ 25 mil. Ele comparou com o preço atual de um Gol Special (popular), que custa R$ 17 mil ou US$ 5.500.
Isso mostra que o carro não está caro, ilustra Sebben. O que está emperrando a venda de veículos populares é a insegurança dos trabalhadores em relação a seus empregos. Mas ele aposta na retomada das vendas, a partir de julho, quando a economia irá refletir o efeito positivo do início de um processo de queda dos juros.


