Dois importantes congressistas norte-americanos apoiaram ontem a política do presidente George W. Bush (EUA) de não emprestar mais dinheiro à Argentina. E mandaram um recado aos investidores: não confiem que o FMI irá salvá-los. Os EUA são os maiores provedores de dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, com US$ 22 bilhões anuais. A liberação das verbas depende da aprovação do Congresso. Por isso a opinião dos deputados tem grande relevância.
O líder do Partido Republicano (governista) na Câmara, Dick Armey, e o presidente do Comitê Econômico da Casa, Jim Saxton, disseram que a estratégia deveria marcar o fim dos empréstimos automáticos do FMI às economias em crise. ''A resistência do Departamento do Tesouro a um novo desembolso para a Argentina emite um forte sinal para o mundo de que as coisas mudaram e estamos entrando numa nova era'', afirmou Armey.
''Os investidores deveriam entender que, no futuro, eles não poderão acreditar que o FMI irá salvá-los de seus maus investimentos'', completou. Embora o governo Bush tenha apoiado a confecção de pacotes bilionários para Argentina e Turquia, a determinação agora é não desembolsar novas ajudas.
Já o ex-ministro da Economia da Argentina Ricardo López Murphy previu ontem que o país está muito próximo de um ''default'' (calote) aberto. Murphy comandou a economia da Argentina por apenas 16 dias, neste ano. Saiu do cargo após duras críticas feitas ao seu plano, que previa corte de gastos públicos de US$ 8 bilhões até 2003. Ele foi sucedido por Domingo Cavallo.
O ex-ministro disse que os choques externos enfrentados desde 1996, a indisciplina fiscal interna e os problemas de credibilidade internacional jogaram a Argentina na atual situação. Culpou o governo por não cumprir os reiterados compromissos com o FMI e pelo constante vaivém das medidas econômicas. ''A instabilidade das regras gera uma sensação de angústia coletiva que é muito grave'', afirmou.
Para ele, sem financiamento externo e sem ajuda do FMI, o governo não vai ter como pagar uma série de compromissos que vencem agora e no próximo mês. ''Está claro que a Argentina vai ser uma economia sem financiamento externo nos próximos anos'', concluiu. Ele defendeu a desvalorização do peso.

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