Estados disputam milho do governo
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sábado, 10 de junho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Tudo indica que a disputa pelo milho vai esquentar daqui para frente em todo o país. Os estoques da Conab são mínimos (366.000 toneladas no país), mas o volume já é suficiente para acirrar os ânimos nos estados. A Associação dos Abatedores Indústriais do Paraná (Avipar) detectou que os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão pressionando politicamente a Conab - Companhia Nacional do Abastecimento - para remover parte dos estoques que estão na região Centro-Oeste para o Sul.
A movimentação dos estados do Sul irritou as lideranças dos segmentos consumidores de milho no Paraná. O presidente da Avipar, Paulo Muniz, argumenta que o Estado é o maior produtor de milho e de aves do país e estão tirando a matéria-prima do nosso nariz? reagiu indignado. Muniz desafiou os políticos paranaenses a pressionar o ministério da Agricultura para que o Estado seja incluído na programação de leilões da Conab, assim como fazem os parlamentares dos estados do Sul que sempre pressionam politicamente o governo federal para ter acesso ao milho.
A preocupação é que o Paraná fique fora do processo de remoção dos estoques de milho pelo terceiro ano consecutivo, protesta Muniz. Antes que a remoção seja decidida, a Avipar iniciou um levante no Paraná. Mobilizou o governador Jaime Lerner, o senador Osmar Dias (PSDB-PR), o presidente da Assembléia Legislativa Nelson Justus e a bancada parlamentar do Paraná na Câmara Federal para impedir qualquer movimentação para remover os estoques de milho, sem incluir o Paraná.
Por menores que sejam os estoques, nós também temos o direito de receber o produto porque somos o primeiro estado produtor de frango do país, com uma produção de abate superior a 48 milhões de cabeças por mês. O Senador Osmar Dias também defende essa idéia. Para ele, um estado que produz 8 milhões de milho, das 30 milhões de toneladas produzidas no país, é o maior produtor de aves e segundo de suínos, não pode ser discriminado quando se trata da destinação de uma matéria prima essencial como é o milho.
Osmar Dias destaca que a sua manifestação não se trata de impedir a remoção do milho para o RS e SC, mas que desta vez não quer ver o Paraná ficar fora disso, como aconteceu nos anos anteriores. Se o milho for para a região Sul, terá que vir para o Paraná também, avisou. Os segmentos consumidores de milho no Paraná estão irritados com o ministério da Agricultura porque vêm sendo alijados no processo de remoção de milho desde 1998.
Naquele ano, o estado tinha um estoque de 300 mil toneladas de milho e o ministério da Agricultura autorizou a remoção para PR e SC, sem se preocupar com as necessidades do Estado. No ano passado, o Paraná já não tinha mais estoques e o ministério autorizou a remoção dos estoques da região Centro-Oeste direto para os estados do Sul. Estima-se que foram removidas mais de 200 mil toneladas. Agora a Avipar quer impedir novamente a remoção, por menores que sejam os estoques da Conab.
O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, garantiu ao senador Osmar Dias que não está pensando em autorizar a remoção do milho. Ocorre que os consumidores paranaenses como os avicultores e suinocultores sabem que essas decisões ocorrem nos segundos e terceiros escalões do ministério e temem que isso aconteça novamente. A assessoria de Imprensa da Conab disse que a decisão de remover ou não o milho está sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Política Agrícola. E que por enquanto os estoques existentes estão comprometidos com os programas sociais do governo e vendas em balcão. Assessores da Conab admitem que se houver remoção poderá ocorrer para a região Nordeste.


