Estados devem ficar fora do acordo dos veículos
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O acordo de emergência para aquecer o mercado de veículos deve ficar sem a participação dos Estados, que colaborariam com uma redução do ICMS de 12% para 9%, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva.
A posição do governo de Minas Gerais, contrário à renúncia fiscal num momento de crise, e a do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim (MG), onde está instalada a Fiat, de exigir quatro novas cláusulas no acordo, fará com que o Conselho de Política Fazendária (Confaz), que se reunirá hoje em Brasília, acabe rejeitando autorização para que os Estados reduzam impostos, segundo Pereira.
A saída será tirar os Estados do acordo, disse. Desse modo, somente o IPI (federal) seria reduzido em até 50%. E os preços cairiam menos do que os 10% projetados.
Pereira disse que conversou ontem com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, e com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Os dois pensam como eu: o Confaz deve rejeitar, afirmou.
A dúvida, segundo ele, é se o governo federal (já dividido porque o Ministério da Fazenda não vê com bons olhos acordos de renúncia fiscal) aceitará fazer o sacrifício sozinho. Ainda que não haja aumento de despesa, sem a renúncia de parte do ICMS o acordo tem menos chance de dar certo e, portanto, de compensar, com volume de vendas, a perda de arrecadação.
Outra proposta que pode ser apresentada quarta-feira na reunião entre montadoras, sindicatos e governo, caso o Confaz não aprove a redução do ICMS, será a de transferir essa decisão para as assembléias legislativas. É um processo mais demorado, mas, se o governo federal aceitar, o assunto deverá entrar em pauta, informou hoje um representante de Anfavea.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Paulo Moreira, afirmou que só vai aderir ao acordo se houver a inclusão de quatro novas cláusulas: permissão para a entidade eleger uma comissão de fábrica (representação interna dos funcionários) na Fiat, para fiscalizar se o nível de emprego será mantido; proibição de abertura de programas de demissões voluntárias; devolução, pelas montadoras, de qualquer prejuízo dos Estados com a redução de impostos; e, por fim, cancelamento dos aumentos dos preços dos carros efetuados a partir de janeiro. A desconfiança de Moreira, cujo sindicato é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), é de que o acordo terá resultados medíocres em termos de vendas de carros.


