A extinção do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul), que vinha sendo cogitada desde o ano passado, foi formalizada pelo Banco Central aos secretários da Fazenda do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Paraná, em uma reunião que aconteceu em Brasília na segunda-feira. No lugar do BRDE, os Estados podem criar agências de fomento e dividir o patrimônio do banco desmembrado. Os governadores devem dar uma resposta ao Banco Central nas próximas semanas.
O governo federal considera que não há mais condições de continuar a sustentar o BRDE, que apesar do lucro de R$ 32 milhões no ano passado, registrou déficit nas regionais de Santa Catarina e Paraná. O resultado líquido negativo de Santa Catarina foi de R$ 6 milhões e o do Paraná foi de R$ 16 milhões. O faturamento gaúcho foi o único positivo, com R$ 54 milhões.
O Rio Grande do Sul é o maior incentivador da extinção do BRDE. O secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, César Busatto, afirmou que o capital do banco poderá ser injetado nas agências de fomento. ‘‘Como está o BRDE não pode mais continuar’’, afirmou Busatto. Segundo o secretário, o banco só se viabiliza por causa do Rio Grande do Sul, que tem o único patrimônio líquido positivo de R$ 343 milhões. Busatto disse ainda que se os outros dois Estados quiserem manter o banco, serão obrigados a fazer aportes de capital, tirando dinheiro do Tesouro para colocar no BRDE.
A criação das agências de fomento em substituição ao BRDE agrada aos três secretários da Fazenda. No caso paranaense, a Casa Civil mandou, há cerca de dez dias, uma mensagem à Assembléia Legislativa criando a Agência de Desenvolvimento do Paraná. O Rio Grande do Sul seguiu o mesmo exemplo. O governador Antônio Britto (PMDB) encaminhou ontem a proposta de formação da agência aos deputados estaduais.
Britto oficializou a reestruturação do sistema financeiro do Rio Grande do Sul, que passa por uma crise há mais de um ano. O governador anunciou a transferência da Caixa Econômica Estadual para a Agência de Desenvolvimento, que passa a englobar também a carteira de fomento do Banrisul. O banco fica apenas com os serviços comerciais.
O secretário da Fazenda do Estado, Miguel Salomão, encaminhou o parecer do Banco Central para análise do governador Jaime Lerner. ‘‘O governador deve se pronunciar na reunião do Codesul (Conselho de Desenvolvimento dos Estados do Sul)’’, afirmou Salomão, através de sua assessoria de imprensa. Salomão disse que cabe ao governador decidir se apóia ou não a idéia de extinguir o BRDE.

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