A secretaria da Agricultura pretende criar o cargo de fiscal agropecuário para executar o serviço de fiscalização e defesa agropecuária no Estado, em resposta a reformulação de competências iniciada pelo Ministério da Agricultura, delegando aos Estados a responsabilidade pela fiscalização sanitária animal e vegetal. Para isso, o secretário, Hermas Brandão, está aguardando uma decisão do governador Jaime Lerner, para contratar 100 médicos veterinários e 40 engenheiros agrônomos, para preencher os novos cargos.
Segundo o diretor do Departamento de Fiscalização da Seab, Luiz Carlos Hatschbach, essa contratação seria em caráter definitivo, através de concurso público, onde poderão participar os profissionais, contratados pela Seab durante o período de um ano, e que serão demitidos a partir do dia 15 de abril, quando começam a vencer os contratos. Mas até ontem, a Secretaria da Administração não tinha informações sobre a realização de qualquer concurso na administração estadual.
Conforme o Conselho Regional de Medicina Veterinária, estão para ser extintos os contratos de 70 médicos veterinários, o que coloca em risco o controle feito pela Defesa Sanitária no Estado, em pleno período de campanha contra febre aftosa, que se encerra no dia 20 de abril. Segundo Paulo Borba, presidente do Conselho, das 104 Unidades Veterinárias no Estado, apenas 47 vão ficar sob a responsabilidade desses profissionais, se nenhuma providência for tomada até o dia 15.
Hatschbach reconhece que a situação da Defesa Sanitária do Paraná é delicada, informando que o próprio secretário Hermas Brandão propõe discutir a reestruturação de pessoal com a iniciativa privada e o Ministério da Agricultura. Além disso, o Paraná está numa posição geográfica confortável, entre os estados do Sul, que já controlam a febre aftosa, e os estados de Mato Grosso e São Paulo, que vêm controlando a doença, respectivamente, há 27 meses e 13 meses.
Saúde Pública Para Paulo Borba, a Saúde Pública também corre riscos com a demissão dos médicos veterinários, já que 17 deles estavam trabalhando no Serviço de Inspeção do Paraná - SIP. Desde que começaram o serviço, há um ano, auxiliaram no levantamento em 88 laticínios registrados no Paraná e constataram que 18 estabelecimentos não trabalhavam com leite pasteurizado, inclusive na fabricação de derivados como queijos e iogurtes. Também foram responsáveis pela condenação de 150 carcaças contaminadas pela cisticercose, apenas no primeiro trimestre desse ano, informou Borba.

mockup