Curitiba - O governo estadual vai retomar de forma definitiva o controle da Sanepar, companhia de saneamento do Paraná, hoje à tarde, quase um mês após anular o pacto de acionistas que vigorava na companhia. Está marcada para as 14 horas uma assembléia geral extraordinária, que será seguida da reunião do Conselho de Administração, a qual vai eleger a nova diretoria da estatal, indicada pelo governador Roberto Requião (PMDB). A posse dos novos representantes da estatal deve ocorrer amanhã.
A diretoria que assumirá a Sanepar será provisória, já que o governo quer reformular cargos e estatutos. Segundo o advogado Pedro Henrique Xavier, assessor da Procuradoria Geral do Estado (PGE), as mudanças devem ser anunciadas daqui a 30 dias. Mesmo assim já foram anunciados na semana passada os nomes de Stenio Jacob, Hudson Calefe e Domingos José Budel como diretores.
Ontem foi confirmado mais um diretor, Germinal Poca, que deve assumir o setor de Relações com os Investidores. O novo presidente da Sanepar será Caio Brandão.
O governo, que é acionista majoritário da Sanepar, havia cedido o controle da estatal para o Consórcio Dominó, (com 39,7% das ações) em 1998, através do pacto de acionistas. No dia 13 do mês passado, Requião assinou decreto anulando o acordo, feito na gestão do ex-governador Jaime Lerner. Com isso o Estado recupera seu poder dentro da empresa.
A PGE espera um embate jurídido com o Consórcio Dominó, formado pelo banco Opportunity, a construtora Andrade Gutierrez e a multinacional francesa Vivendi. O grupo, que decidia todos os planejamentos e investimentos da Sanepar, retoma sua condição de minoritário.
As dificuldades começaram já no agendamento da assembléia de hoje. O consórcio demorou dias para liberar o edital de convocação do ato, o que atrasaria a posse da diretoria indicada por Requião. ''Não esperamos nenhuma divergência para hoje, mas se ocorrer, estamos preparados para enfrentar'', relatou. O consórcio, que não se manifestou para a empresa, reuniu uma equipe de advogados para tratar da questão.
Como acionista majoritário, com 60% das ações, o governo vai indicar cinco nomes para o Conselho de Administração. O grupo Dominó indica outros três e os funcionários, um representante. O atual presidente do conselho e ex-secretário da Fazenda, Ingo Hubert, envolvido no escandâlo Copel-Olvepar, não deve estar presente. De acordo com Xavier, é obrigatória apenas a presença dos acionistas.

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