Se as previsões do governo se confirmarem, até o final do ano que vem a expansão da cafeicultura vai gerar 37 mil novos postos de trabalho (empregos diretos) em todo o Estado. A projeção é calculada em cima do cultivo de 135 milhões de pés, pelo plantio adensado, como meta do Plano de Renovação da Cafeicultura que nos últimos dois anos incentivou o plantio de 70 milhões de mudas, tendo gerado cerca de 17,5 mil empregos.
Os números foram anunciados ontem de manhã pelo secretário da Agricultura, Hermas Brandão, durante solenidade de assinatura de convênios com 188 municípios e associações de cafeicultores, para produção de mudas. Através dos convênios, o Estado repassa R$ 3,9 milhões. O subsídio à produção de mudas não é o único incentivo. O governo acena com financiamentos para aquisição de máquinas que serão usadas em programa de qualidade do café, segundo Hermas Brandão.
Calcula-se que o agronegócio do café seja responsável por 100 mil empregos diretos, que são criados a partir do campo, onde existem 16 mil produtores. O Paraná conta ainda com o giro das indústrias de torrefação e fábricas de café solúvel. O setor movimenta quase US$ 1 bilhão/ano. ‘‘Mas o Paraná já deu a largada para ampliar esses números’’, disse, referindo-se aos avanços conquistados até agora na geração de empregos e na rentabilidade das pequenas e médias propriedades.
Cerca de 2 mil pessoas presenciaram a cerimônia presidida pelo governador Jaime Lerner, no recito José Garcia Molina, Parque Ney Braga. Na mesa principal, entre outras autoridades, estavam a vice-governadora Emília Belinati; o presidente da Assembléia Legislativa, Anibal Khoury; os presidentes da Sociedade Rural Brasileira, Luiz M. Suplicy Haffers; da Associação Paranaense de Cafeicultores, Newton Carneiro; o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid; e o presidente em exercício da Sociedade Rural do Paraná, Luiz R. Neme.
Novas técnicas A revitalização da cafeicultura no Paraná é ancorada no novo sistema (plantio adensado) que incorpora outras técnicas revolucionárias desenvolvidas pelos pesquisadores do Iapar, que inclui variedades mais produtivas e resistentes. Ontem o governador Lerner expressou seu reconhecimento ao trabalho da pesquisa, fazendo menção elogiosa ao Iapar. O sistema, que é difundido pela Emater em parceria com prefeituras e cooperativas, aumenta a quantidade de plantas de 2 mil para cerca de 10 mil por hectare. Com isso, segundo a Emater, eleva-se a produção de uma média de 10 sacas beneficiadas/hectare para 50 sacas. A receita bruta do agricultor, que no sistema tradicional seria de R$ 1.000,00 aumenta para R$ 5.000,00/ha, considerando um preço médio de R$ 100,00/saca.
Seab, Emater, Iapar trabalham em outra vertente: a melhoria da qualidade do café e a criação do ‘‘selo de qualidade Paranᒒ. Ontem à tarde, no Iapar, houve reunião da Câmara Setorial do Café.
Durante a cerimônia o governador também homenageou os pioneiros do café no Paraná. E foi homenageado por eles, ao receber uma muda de café das mãos do produtor Salomão Sogayar, de Ribeirão Claro. Ele tem 89 anos e ainda está na ativa, conforme a agrônoma Denise Lutgens Rizzo, da Emater.
Apac No seu pronunciamento, o presidente da Apac, Newton Carneiro, também reconheceu que o agronegócio do café, com o advento do novo sistema, pode gerar 100 mil novos empregos nos próximos anos. Carneiro defende a introdução urgente do programa de qualidade. Ele disse que o Paraná vai conquistar nichos no mercado internacional e ocupar espaços deixando pelos cafés de qualidade da Colômbia e América Central.
O pesquisador Armando Androciolli Filho, perguntado sobre o aumento da oferta de café no mercado nos próximos três a cinco anos, disse que o sistema adensado proporciona boa rentabilidade pelo seu baixo custo e alta produção. E que o fator qualidade será um indicador de preços importante. Ele acha que o desaquecimento do mercado que certamente deverá ocorrer a médio e longo prazos, não comprometerá a renda do produtor. O programa de governo é providencial no fomento à produção de muda. É que a corrida para o plantio de café provocou escassez de mudas.

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