Estado registra pior saldo da balança
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná fechou os oito primeiros meses do ano com um deficit de US$ 377,9 milhões na balança comercial, resultado das exportações (US$ 11,5 bilhões) menos importações (US$ 11,9 bilhões) no acumulado de 2011, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). É o pior desempenho do Estado desde o ano 2000, quando o saldo anual fechou negativo em US$ 292 milhões.
Apesar de, em agosto, o Paraná ter registrado o maior volume de produtos exportados da história, com US$ 1,82 bilhão, as importações também foram recordes, com um total de US$ 1,87 bilhão. Com isso, o saldo no mês passado ficou negativo em US$ 56,2 milhões. Nos demais meses do ano, houve uma grande variação: janeiro (- US$ 418,8 milhões), fevereiro (- US$ 148 milhões), março (-US$ 21,4 milhões), abril (US$ 112,9 milhões), maio (US$ 21,4 milhões), junho (US$ 89,3 milhões) e julho (US$ 42,7 milhões).
Entre os principais produtos exportados pelo Estado, os grãos e resíduos de soja lideram o ranking, com uma soma total de US$ 2,40 bilhões no acumulado do ano. Depois aparecem o bagaço e óleo de soja, com US$ 1,04 bilhão, seguido pelo açúcar de cana e seus derivados, com US$ 861,5 milhões.
O Paraná importou desde o começo do ano, US$ 1,58 bilhões em óleo bruto de petróleo. Logo em seguida vem os automóveis, com US$ 937,4 milhões, e cloreto de potássio (sal), com US$ 379,6 milhões. Estes números comprovam o papel desempenhado pelo Estado nos últimos anos: o de exportador de produtos básicos e semifaturados, com US$ 5,46 bilhões e US$ 1,58 bilhão, respectivamente, no acumulado do ano. Em relação às importações, o Estado compra de fora principalmente produtos industrializados e manufaturados, sendo US$ 9,91 bilhões e US$ 9,42 bilhões, respectivamente em 2011.
No Brasil, a balança comercial em 2011 segue positiva em US$ 19,9 bilhões e, somente no mês de agosto, o saldo ficou em US$ 3,87 bilhões.
Avaliação
Segundo o economista Roberto Zurcher, do Departamento de Assuntos Econômicos da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), o resultado da balança aponta que a valorização do real faz crescer as importações de produtos industrializados, prejudicando a indústria local. ''Como os produtos nacionais estão perdendo espaço para a concorrência estrangeira, as perdas são grandes. A questão cambial impacta diretamente no resultado porque os produtos não ficam tão competitivos no mercado mundial. Por mais que as exportações agrícolas continuem sendo o carro-chefe do Estado, ainda mais com alta no valor das commodities, o saldo final tem ficado negativo'', destaca.
Zurcher também ressalta que a importação de petróleo bruto no mês de agosto contribuiu para o deficit na balança. De acordo com o economista, o petróleo importado pelo Paraná é destinado à refinaria Getúlio Vargas, que fica em Araucária. A unidade é responsável por este procedimento, para depois vender o combustíveis e lubrificantes para outros estados. ''Quando se importa petróleo dificilmente o resultado da balança comercial será positivo. E, no caso do Paraná também há importação de adubos e fertilizantes, o que também impacta nos números finais'', completa.
Zurcher prevê que nos próximos meses, as importações devem se manter em alta por causa dos produtos para o Natal que já começam a ser comercializados até o final do mês em todo o País.
Estados
Os estados que mais exportaram no mês de agosto foram São Paulo (US$ 6,26 bilhões), Minas Gerais (US$ 4,11 bilhões), Rio de Janeiro (US$ 3,10 bilhões), Pará (US$ 2,03 bilhões) e Rio Grande do Sul (US$ 1,86 bilhão). O Paraná vem em seguida, com US$ 1,82 bilhão. Já os estados que mais importaram em agosto foram São Paulo (US$ 7,99 bilhões), Rio de Janeiro (US$ 1,97 bilhão), Paraná (US$ 1,87 bilhão), Santa Catarina (US$ 1,43 bilhão) e Rio Grande do Sul (US$ 1,42 bilhão).


