Estado precisa de R$ 500 mi para safrinha
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sábado, 24 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O produtor do Paraná iniciou o plantio do milho safrinha sem os recursos do crédito rural. O principal entrave para a liberação de dinheiro é a falta de regulamentação do Proagro, o programa de seguro agrícola do governo federal, que cobre os riscos da lavoura. Sem a cobertura do Proagro ou das seguradoras, os bancos não liberam financiamento com juros de crédito rural para os agricultores.
Prevendo uma avalanche de reclamações a partir do mês que vem quando se intensifica o plantio da cultura no Estado, a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Paraná (Faep) enviaram um documento ao Ministério da Agricultura, solicitando empenho para resolver a situação. O Paraná quer que o governo federal regulamente definitivamente o Proagro, para que o agricultor possa ir ao banco pedir financiamento para a sua lavoura.
A previsão é que os agricultores paranaenses precisem de R$ 500 milhões para financiar o cultivo de milho safrinha numa área estimada em 1,45 milhão de hectares. Cerca de 10% da área prevista já foram plantados, com recursos próprios dos produtores. O assessor econômico da Faep, Jorge Proença, considera um erro o agricultor arcar sozinho com os riscos de uma lavoura importante para o País.
De acordo com Proença, a lavoura de milho safrinha tem um risco muito grande porque é submetida a um período de geada no início do inverno que pode comprometer a produção esperada. Por isso é recomendável que os agricultores façam uso da cobertura do seguro agrícola ou do Proagro. Ocorre que as seguradoras também se recusam a fazer a cobertura desse tipo de lavoura, temendo os riscos.
''As seguradoras não esquecem o tombo que levaram em 2000 quando mais de 60% da safra de milho safrinha do Paraná foi perdida'', recorda. Por causa disso, elas perderam o crédito junto às empresas resseguradoras que se negam a fazer o resseguro das apólices de seguro. O resseguro é feito para diluir riscos das seguradoras.
Proença lembra que no ano passado, quem plantou o milho safrinha se deu muito bem, mas também não houve cobertura de seguro.


