Estado poderá exportar animais vivos
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A recuperação do status sanitário de área livre de febre aftosa com vacinação do Paraná deverá levar o Estado a conquistar um outro mercado: a exportação de animais vivos para a Europa. Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, as características do rebanho estadual - formado a partir do cruzamento entre raças européias e zebuínos - despertou interesse de importadores europeus e árabes. Ele, inclusive, acredita que alguns negócios devem ser fechados ainda neste ano.
A Rural recebeu a visita, em 2007, de integrantes de uma associação italiana de exportação e importação de carnes e tem sido alvo de consultas de grupos árabes. A intenção, de acordo com Kireeff, é a comercialização de bezerros. A União Européia tem retirado subsídios para a produção de carnes, tornando menos competitiva a produção, comenta Kireeff. Ele acrescenta que os animais fruto do cruzamento têm temperamento mais dócil e são adaptados ao clima europeu. Inclusive, a comercialização nestes moldes já é feita pelo Rio Grande do Sul e pelo Pará.
Mas a retomada do status é a ratificação da organização mais importante do mundo de que nosso rebanho é saudável e que estamos habilitados a disputar os principais mercados, comenta o presidente da Rural. Ele lembra que a União Européia consome cortes mais nobres, pagando bem por isso. Kireeff também não acredita que o preço da arroba bovina vá subir em função da retomada do status. Como vários Estados também recuperaram o status não deverá haver impactos ao consumidor. Talvez a médio prazo (6 meses) poderá ocorrer elevação de preços dos cortes mais valorizados, avalia.
Para o pecuarista André Carioba, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), a notícia da recuperação do status sanitário é boa. Mas infelizmente chegou atrasada. Esperamos mais de dois anos por causa de uma doença infecciosa que não existiu; não foi isolado qualquer vírus de aftosa, reitera. No entanto, ele acrescenta que o episódio poderá servir de lição para que o fato não volte a ocorrer. Também pode gerar algum reflexo no preço da arroba porque os custos de produção aumentaram absurdamente. É alarmante, observa.
Segundo ele, subiram as cotações de vários insumos, como vacinas, sal mineral, menejo, óleo diesel e adubos. Somente o custo do sal mineral teria aumentado cerca de 80%. Os ganhos com a arroba não foram repassados integralmente porque os pecuaristas já vinham perdendo. As empresas repassam mais rapidamente o aumento dos preços dos insumos e quem mais sai perdendo são os pecuaristas e os consumidores, diz.


