A União e o governo estadual foram notificados ontem da decisão judicial que impede o abate/sacrifício de 1,8 mil bovinos da Fazenda Cachoeira, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio) e apontada como foco de aftosa pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). União e Estado são réus na ação movida pelos donos da fazenda. No entanto, a Procuradoria do Estado anunciou que não irá recorrer, ao contrário da União.
A partir da notificação, o governo federal tem até a próxima sexta-feira para apresentar todos os laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) sobre os animais da propriedade. Conforme a decisão do juiz federal substituto Cleber Sanfelici Otero, a União deve efetivamente apresentar indícios que ''acarretem suspeita de existência da febre aftosa em animal do rebanho''.
Segundo a argumentação do advogado do proprietário da Fazenda Cachoeira, Ricardo Jorge Rocha Pereira, vários animais da propriedade foram submentidos a exames e, até agora, o Ministério da Agricultura não apresentou laudo dos laboratórios federais e, portanto, ''não comprovaram a existência de febre aftosa nos animais''.
A informação é comprovada pelo veterinário Onésimo Locatelli, coordenador de Defesa Sanitária da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) em Jacarezinho (Norte Pioneiro). ''Estamos acompanhando os animais desde quando o Estado foi declarado com suspeita de aftosa e nenhum deles apresentou sinal clínico de aftosa'', disse, ontem.
O procurador jurídico do Paraná, Sergio Botto de Lacerda, afirmou para a reportagem que o Estado não irá recorrer da decisão judicial até que a União se manifeste. ''A União é quem armou essa confusão com os pecuaristas, consumidores e orgãos internacionais. Aqui no Paraná afirmamos, com segurança, que a situação não é essa'', comentou.
Ele acrescentou que o ministério confirmou a ocorrência de aftosa no Estdao com base em suposições e interditou áreas baseado em normas internacionais ''estranhas''. ''O ministério (Mapa) transferiu a responsabilidade para o Paraná, não apresentou nenhum laudo laboratorial e criou um embaraço para todo o Estado'', disse.
O Mapa recebeu ontem o ofício enviado pela Seab, que informa a decisão do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) de sacrificar os 1,8 mil bovinos da Fazenda Cachoeira. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o ministério irá responder ao ofício na segunda-feira. No documento deverão estar detalhados os procedimentos práticos e burocráticos que a Seab deverá adotar.

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