Até a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) já reconheceu em sua página na internet que o Paraná conseguiu retomar o seu status de área livre de febre aftosa com vacinação. Foram cumpridas todas as exigências de sanidade, já se passaram mais de 180 dias do período exigido como vazio sanitário mas, por enquanto, os embargos à carne paranaense não foram levantados. Para apressar o fim desta situação, o governo estadual decidiu chegar diretamente nos representantes dos principais mercados consumidores da carne paranaense.
Na semana passada, lideranças do governo e do agronegócio do Estado organizaram uma reunião, em Brasília, com representantes de embaixadas de países importadores do produto. No encontro foram apresentados relatórios técnicos de todos os procedimentos adotados no Paraná, desde a confirmação do foco da doença no Mato Grosso do Sul em outubro do ano passado, passando pelo sacrifício dos bovinos e as ações sanitárias desenvolvidas. Participaram do encontro cerca de 20 representantes das embaixadas.
''Pedimos que essas pessoas repassem as informações apresentadas na reunião a seus países para que o comércio com o Paraná seja retomado. O Paraná já cumpriu todas as regras e obrigações impostas pela OIE'', disse Newton Pohl Ribas, secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento. Segundo ele, também foi feito um pedido aos técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para enviar o relatório detalhado da situação do Estado já no próximo mês. A organização internacional tem reunião agendada para março e a expectativa é que o caso do Paraná seja discutido durante este encontro.
A próxima etapa da iniciativa é organizar um encontro com representantes do Mercado Comum Europeu, especialmente os que têm assento na OIE. A reunião deverá ser realizada no próximo mês, possivelmente, na Região Norte. Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, que também participou do encontro, os produtores estão trabalhando com a ''intenção de garantir um produto de qualidade para ser fornecido para o mundo todo''.
Sem vacinação - Além de garantir a retomada do comércio, a intenção do Paraná, no entanto, é realizar um trabalho mais amplo de vigilância sanitária. Em um primeiro momento, o objetivo é realizar um trabalho de fronteira com o Paraguai, com vacinação assistida nas propriedades localizadas nos 25 quilômetros mais próximos e educação sanitária com os produtores. ''Apesar do trabalho desenvolvido - com as barreiras que ainda continuam montadas, o serviço de defesa sanitária animal e as unidades veterinárias - o Paraná continua vulnerável à febre aftosa'', salientou o secretário.
O desenvolvimento destas ações depende ainda de formalização dos dois governos federais. No entanto, caso este trabalho não seja desenvolvido, os paranaenses têm a intenção de parar de vacinar o rebanho para alcançar o status de área livre de aftosa sem vacinação. ''Desta forma, todo o trabalho feito pelas equipes no Estado seria focado nas divisas. Haveria um controle maior de entrada de animal vivo'', observou Ribas. No entanto, esta decisão terá que ser negociada com o Mapa e com a OIE e mesmo que seja aprovada no próximo ano só será colocada em prática a partir de 2008. (F.M.)

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