Estado deve superar média nacional também com o café
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sexta-feira, 09 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O Paraná deve colher uma safra de café superior à média de outros estados produtores. Enquanto a quebra nacional é estimada em 40% (por causa da alternância entre anos bons e ruins inerente à cultura), o mercado trabalha com perspectiva de prejuízo máximo de 15% na safra do Estado. ''A conjuntura é favorável desde que não haja problema de clima'', afirmou o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, do Departamento de Café (Decaf) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ele explicou que a menor oscilação de produtividade ocorre porque o Paraná está se recuperando da geada de 2000, quando muitos cafezais foram perdidos. Além disso, as lavouras adensadas em atividade garantem uma produção equilibrada, graças ao sistema de podas utilizado. A previsão é que o Estado produza 2 milhões de sacas na safra que começa a ser colhida.
O corretor Devanil Vicente Ferreira concorda que o momento favorece o produtor paranaense, mas faz uma ressalva: ''São duas boas safras seguidas, mas o preço precisa ajudar''. Ontem, a saca do café arábica tipo 6, bebida dura, estava cotado a R$ 160,00 em Londrina. O preço, de acordo com cafeicultores, não cobre o custo de produção.
Possíveis aumentos na cotação dependem do anúncio dos preços mínimos para leilões de opção do governo federal, que prometeu revelar o valor na semana que vem. Segundo Ferreira, o mercado está calmo porque o produtor espera o anúncio do governo, mas ele não acredita em recuperação na cotação do produto logo após o anúncio dos preços mínimos. ''Os estoques estão grandes, o mercado deve melhorar a partir de julho'', comentou. Por outro lado, os exportadores estão comprando menos em virtude do início do verão no hemisfério norte, o que diminui o consumo da bebida na Europa e nos Estados Unidos.
Ano passado, a primeira opção de leilões foi para dezembro, com preço mínimo de R$ 130,00. Só após essa data os preços melhoraram, por isso, conforme Barbosa Lima, muitos produtores venderam parte da safra a cotações muito baixas.
Este ano, os leilões de opção devem acontecer em setembro e dezembro. A antecipação é vantajosa para o produtor, pois aumenta as chances dos preços subirem antes. As cotações do segundo semestre, ainda de acordo com o engenheiro agrônomo, devem ficar próximas do valor do mercado de opção. Ocorrências de frentes frias e geadas, porém, podem interferir nos preços ainda no primeiro semestre. ''O mercado vai oscilar de acordo com o clima.''
O cafeicultor Wilson Baggio, presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio e da Comissão Técnica de Café da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), informou que os produtores reivindicaram ao governo um preço mínimo de R$ 220 e R$ 250 por saca, para setembro e dezembro, respectivamente.
Ele, porém, não espera que o pedido seja atendido. ''Parece que o valor será de R$ 196,00'', disse, acrescentando que o número foi calculado pela Embrapa com base no custo de produção. ''Mas o custeio é muito variável, depende das tecnologias utilizadas. Por esse valor, não valerá a pena'', reclamou.


