A guerra fiscal ainda deve causar muitos conflitos entre os Estados, mas as estatísticas que medem as riquezas das regiões do Brasil ainda não deixaram claro se ela tem sido tão daninha quanto a reação do governo paulista faz supor.
São Paulo ainda detém mais de um terço de tudo que é produzido pelo Brasil e ainda que na última década a indústria do Estado tenha crescido apenas 15% - menos do que a média nacional, de 22% - a produção industrial paulista não diminuiu.
‘‘Apenas incentivos tributários não são suficientes para minar a vocação industrial de um Estado’’, avalia o tributarista Gilberto Luiz do Amaral, do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
‘‘A localização geográfica, a infra-estrutura, a existência de mão-de-obra qualificada e o mercado consumidor pesam muito na decisão das empresas e, nesse caso, um Estado não pode fazer nada contra o outro’’, continua.
Ele lembra que a saída de uma indústria de uma região é sempre traumática por conta do corte de funcionários. No entanto, avalia, é preciso olhar a questão sob o âmbito macroeconômico.
‘‘O Estado está realmente perdendo empregos? Se todos crescerem, se o mercado brasileiro crescer, a indústria paulista não cresce junto?’’, pergunta.
A julgar pelos resultados do ano passado, a própria indústria paulista deve recuperar terreno. Em 2000, a produção cresceu 5% no Estado. Foi um crescimento mais modesto do que os mais de 8% do Rio Grande do Sul e do Ceará.
É preciso lembrar, no entanto, que o crescimento de 5% da indústria de São Paulo representa a recuperação de um setor que movimenta quase R$ 130 bilhões por ano. Somente esse setor é quase o dobro de toda a economia gaúcha, por exemplo.
Há quem aposte que, se tudo correr bem e se a economia brasileira continuar crescendo por volta de 4,5% ao ano, as ações judiciais devem ir para a gaveta. Nesse caso, o crescimento e uma futura reforma fiscal acabariam enterrando as desavenças.

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