Estado complementa crédito ao algodão
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoQuestão socialAlgodão é uma das culturas que mais geram emprego no campo e distribuem renda nas pequenas cidades O produtor de algodão que se enquadrar no programa de recuperação da cultura poderá contar com financiamento estadual para complementar o custeio da lavoura. O Banestado já manifestou a intenção de financiar uma parte do programa, mas não divulgou o volume de recursos que vai colocar à disposição dos produtores de algodão. A estimativa do governo do Estado é beneficiar entre 35 mil e 40 mil proprietários rurais.
Quanto ao Banco do Brasil, seus diretores vão se reunir hoje com o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, para dizer se o banco aceita ou não participar da campanha.
O programa será lançado na próxima sexta-feira, às 10 horas, em Ivaiporã, onde o governador Jaime Lerner deverá assinar convênios com prefeituras, associações de produtores, cooperativas e sindicatos rurais.
Além dos recursos que serão repassados a fundo perdido no valor total de R$ 26 milhões, os bancos deverão entrar com a complementação necessária para execução de todo o projeto orçametário apresentado. Ou seja, o governo vai repassar para cada agricultor R$ 106,16 por hectare até o limite de seis hectares, que totaliza R$ 639,96 por agricultor, para quem possuiu propriedade até três módulos rurais.
O financiamento complementar será restrito aos agricultores que seguirem rigorosamente o projeto técnico do programa e que precisarem de mais recursos além dos repassados pelo governo.
As taxas de juros a serem cobradas nesse financiamento deverão ser as mesmas do Pronaf, 6,5% ao ano e Proagro de 2%. Para o diretor do Deral, Norberto Ortigara, a disposição dos bancos em voltar a financiar o algodão reflete a mudança que está ocorrendo no mercado. Normalmente, os bancos financiam até 70% da receita bruta na implantação das lavouras, limitada ao tamanho do orçamento. Mas desde que foram zeradas as alíquotas de importação do produto, os bancos deixaram de financiar o algodão.
Com o restabelecimento do pagamento à vista nas importações, elas deixaram de ser atraentes e as indústrias se voltam para a produção nacional, o que está motivando os bancos a financiarem novamente a cultura.
A Seab divulgou ontem que a meta do Governo é plantar 250 mil hectares (ante os 59,7 mil ha na última safra) e gerar 150 mil novos empregos na zona rural. As 82 indústrias de descaroçamento do algodão, que têm capacidade para gerar 5 mil empregos, também voltarão a funcionar com toda sua capacidade.
Até a década de 70, o Brasil era um dos maiores exportadores de algodão. Com a abertura do mercado a situação do setor entrou em colapso. Paraná e São Paulo foram os Estados mais prejudicados.


