Estações começam a ser reparadas
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Agência Folha 
A Embratel iniciou ontem os reparos do cabos danificados da Subestação Repetidora de Lages, em Correia Pinto, que sofreram ato de sabotagem. A previsão era de que os trabalhos terminassem ontem à noite. Os atentados aconteceram no início da manhã de anteontem. Ligações telefônicas e o fluxo de ondas de TV e de rádio entre Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina e resto do País ficaram prejudicadas por quatro horas. Caixas eletrônicos de bancos ficaram inoperantes. Ligações internas nos dois Estados não foram afetadas.
Os reparos às duas estações começaram às 11h de ontem, depois que a Polícia Federal terminou a coleta de dados no local. Um esquema especial de iluminação seria montado para que os trabalhos pudessem entrar pela noite. Um Boeing 737 da Itapemirim Cargo, fretado, transportou de São Paulo o material necessário para os reparos, em duas viagens, ontem de manhã e à tarde.
O material contém bobinas com 480 metros de guias de onda semelhantes às que foram danificadas. O avião teve dificuldade para aterrisar no Aeroporto Federal de Lages, que não tem capacidade para aeronaves de grande porte. Por caminhão, de Porto Alegre, veio outra carga de equipamentos. Segundo a gerência regional da Embratel, ainda não há estimativa do prejuízo causado pelos danos.
As repetidoras fazem parte do tronco de microondas Curitiba-Porto Alegre. Cada uma delas recebe sinais da anterior, amplifica-os e os transmite à próxima. As bombas atingiram exatamente as guias de ondas, cabos semelhantes a mangueiras de incêndio. As guias transmitem os sinais das antenas parabólicas colocadas nas torres aos prédios das repetidoras e os devolvem às antenas. Aparentemente, não danificaram mais nada do que havia por perto. Em uma delas, nem mesmo vidraças localizadas a menos de cinco metros do ponto da explosão se quebraram.
Segundo funcionários da Embratel, a ação parece ter sido executada por alguém que conhecia profundamente o funcionamento do sistema, pois as bombas atingiram o ponto nevrálgico das estações. Com o rompimento das guias, a Embratel providenciou uma mudança de rota dos sinais para a linha litorânea, que passa pelas cidades catarinenses de Joinville e Florianópolis.
Segundo a Embratel, atentado fracassado foi tentado contra outra repetidora, localizada em Joinville (nordeste de SC), há três dias. Se esse atentado também tivesse tido êxito, as consequências para o sistema teriam sido piores - o fluxo teria sido transferido para uma outra rota alternativa, não revelada pela Embratel, o que iria causar grande congestionamento nas linhas.
As explosões em duas subestações repetidoras da Embratel em Santa Catarina foram provocadas por espécies de bombas-relógio que detonaram simultaneamente. Essa informação foi confirmada ontem à tarde pelo gerente-geral da Embratel em Santa Catarina, Danilo Cunha.


