Diante do crescimento constante da frota de veículos, um dos problemas que tem deixado muitos motoristas de Londrina descontentes é o fato de não haver vagas suficientes nas ruas. Dessa forma, são 'obrigados' a deixar o carro em estacionamentos particulares e pagar o preço estipulado pelos proprietários. Mesmo com a lei municipal que obriga os locais a cobrarem a hora fracionada, ou seja, a cada 15 minutos, não existe uma tabela ou qualquer indicador econômico que determine os preços a serem repassados ao consumidor.
Além disso, desde maio o londrinense não conta mais com 136 vagas, que foram retiradas das ruas João Cândido e 169 que serão retiradas da Duque de Caxias, para dar lugar ao corredor exclusivo para ônibus. A situação é ainda pior para aqueles que trabalham ou moram na região central, mas não dispõe de vagas em seus prédios, já que muitos edifícios são antigos. O jeito é recorrer aos estacionamentos e pagar mensalidades em horário comercial ou 24 horas, já que no estacionamento público rotativo, a Zona Azul, o limite é de duas horas.
Em visita a alguns desses estabelecimentos localizados no quadrilátero central da cidade, a reportagem da FOLHA constatou que os valores cobrados variam em até 100% pelo mesmo período de utilização. Para deixar o carro das 8h às 18h, por exemplo, o consumidor pode gastar entre R$ 80 e R$ 160. Os preços se distinguem, basicamente, pela localidade, estrutura e serviços inclusos. Os que ficam próximos e possuem o mesmo porte, quase não têm diferenças de valores.
Para completar, grande parte subiu a mensalidade ou está prestes a fazê-lo. São aumentos que chegam a R$ 40,00 no período de um ano. Os rejustes ficam muito acima da inflação, cujo índice nos últimos 12 meses ficou em 5,31%. Se consideramos um estabelecimento na Rua Goiás, que cobrava R$ 65,00 há um ano, teve dois reajustes de R$ 15, e hoje cobra R$ 100, o aumento foi de 53,84%, nove vezes mais que a inflação.
Contudo, mesmo com os preços altos, um detalhe chama a atenção: dos dez locais visitados, apenas dois ainda têm vagas para mensalista. Ou seja, o que se constata é que há mercado motivado pela grande procura. A dúvida que fica é em relação ao cálculo que dá base para esses preços que, ao mesmo tempo, podem ser considerados abusivos se comparado, por exemplo, com o aluguel de uma quitinete sem garagem na mesma região, cujo valor é de aproximadamente R$ 300.
Estacionamentos arcam
com altos custos
Ademir Hipólito, gerente de um estacionamento cujo maior fluxo é de clientes mensalistas, diz que um dos motivos de os usuários acharem o valor cobrado alto é por desconhecerem uma série de custos que envolvem o empreendimento. ''Ter um negócio como esse é uma grande responsabilidade. Para se ter uma ideia, qualquer batida que por acaso aconteça fica R$ 500, em média, para fazer o reparo. Temos ainda funcionários 24 horas, seguro com cobertura total, que acarretam em custos'', ressalta.
Ele explica que se o cliente dividir o total por cada dia do mês, ele vai pagar menos de R$ 5 ao dia. ''Isso dá cerca de vinte centavos por hora. A hora avulsa, em média, não sai por menos de R$ 4. O valor que pagam para deixar o carro o dia todo não é alto'', defende. Sobre os reajustes, ele garante que são feitos apenas dois ao ano e nunca passam de R$ 10 por vez.
Já o proprietário de outro estacionamento, Thiago Gonçalves, destaca que o aluguel do imóvel é um dos fatores que influenciam diretamente na mensalidade. ''O valor que cobramos é de acordo com o do mercado. Mas o que pagamos de aluguel, que chega a quase R$ 40 mil por ano, acaba determinando nosso preço. O reajuste é feito conforme acontece esse aumento. Além disso, temos uma estrutura melhor que muitos estabelecimentos da cidade, que é o que conta no cálculo'', argumenta.

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